Fundamentos

Comer

Gostamos de verbos. O verbo é ação, um movimento, um atravessar de estádios, sejam eles quais forem. Ao longo deste ano de 2020, no Mensageiro de Santo António, propomos atravessar cinco verbos sem a pretensão de dar respostas fechadas, mas colocando diferentes e diversas questões à volta do Viver, a partir da experiência cristã. O que é viver? Como viver?

1- Uma brevíssima história da alimentação no mundo ocidental

No início

Este artigo não é sobre dietas, nem modas alimentares, nem superalimentos, nem o benefício real dos flavenóides ou dos ácidos gordos ómega 3. Dietas há muitas, tal como os chapéus do Vasco Santana, e não há um modelo, um regime alimentar que se aplique a todos. Não vou dizer que não coma o borrego preparado com todo o carinho pela avó Maria ao domingo, nem a sardinha nos Santos Populares preparada pelo tio Luís, nem vou proclamar o benefício dos batidos verdes da prima Clara. Proponho seguir outro caminho. O que comem as pessoas que vivem acima da esperança média de vida? Há linhas gerais que devíamos seguir? Devíamos consumir menos ou deixar totalmente de parte alguma coisa? Há dicas práticas que podemos implementar para nos alimentarmos melhor?

Segundo os dados mais atuais, o ser humano deverá ter 200 mil anos. Até nem é nada de especial em termos temporais! Levou 190 mil anos a assentar arraiais, que é como quem diz, de recolector e caçador, ali na zona do crescente fértil (atual Iraque) começou a atirar umas sementes à terra, a obter fruto e a domesticar animais. Ora aqui sim, 10 mil anos A.C., começaram paulatinamente as grandes transformações na forma como vivia e, naturalmente, na forma como se alimentava. Precisamos de fazer correr o relógio do tempo, dependendo das regiões geográficas, sensivelmente entre 12 a 10 mil anos para chegarmos ao período entre o pós-Segunda Guerra Mundial e os dias de hoje. Em 70 anos, menos de um século (!), mudámos mais rapidamente a forma como nos alimentamos, do que em qualquer outro período da História. É vertiginoso, assustador e revelador.

«Olhó-docinho que sabe bem e faz mal ao dentinho»

E se fosse só aos dentes… Uma das grandes mudanças na dieta alimentar foi a quantidade de açúcar que consumimos. O açúcar nos alimentos tem a função de adoçante, realçar o sabor ou equilibrar sabores. O sabor a doce serve como pista sensorial para energia e como fonte de prazer. Há estudos que concluem que a preferência pelo doce evoluiu para garantir que os animais e o homem escolhessem alimentos nutritivos que não fossem tóxicos. Durante a infância a preferência por sabores doces pode ter assegurado a aceitação do primeiro alimento – o leite materno. De acordo com um estudo de 2014 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América, o leite materno tem 2,12gr de açúcar por cada 29,5ml. Estes mecanismos do paladar terão tido importância nos mecanismos de sobrevivência. Se as minhas bisavós adoçavam com arrobe ou mel, «quando o rei fazia anos», a geração dos meus pais e a minha está inundada de açúcar e adoçantes artificiais. Um estudo publicado em 2005 sobre a evolução da dieta ocidental revela que o consumo humano de açúcar aumentou de 5 kg por ano em 1830 para uns chocantes 70 kg por ano nos finais do século XX. De acordo com a SugarScience – entidade da Universidade da Califórnia em São Francisco – existem atualmente nos rótulos alimentares 61 designações para açúcar. A título ilustrativo: dextrose, maltose, sacarose, frutose, maltodextrina, xarope de milho, açúcar invertido, xarope de frutose e glucose… Quando for ao supermercado e na embalagem de algum produto estiver escrito «sem açúcar», desconfie! Leia primeiro o rótulo. Não tem mesmo nenhum açúcar ou adoçante adicionado? Consegue perceber o que está escrito sem precisar de um livro de química? Era algo habitual do prato das suas bisavós? O açúcar em excesso suprime o sistema imunitário e gradualmente o organismo torna-se mais suscetível a doenças, e não estou a referir-me apenas aos exemplos típicos da obesidade e diabetes. Comece por não comprar alimentos processados, comida rápida pré-confecionada, deixe para os dias especiais os doces.

«Olha a gordurinha do processado, é pró-menino e prá-menina, ó-ó»

Se o «mau da fita» fosse apenas o açúcar! Depois da Segunda Guerra Mundial explodiu a produção e o consumo de gorduras trans. As gorduras trans são aquelas que nos rótulos dos alimentos aparecem como: «gordura totalmente ou parcialmente hidrogenada» ou «óleos totalmente ou parcialmente hidrogenados». São ótimas para aumentarem significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Fuja delas a sete pés. Têm uma vantagem prática para a indústria alimentar: não ficam rançosas! É por isso que são utilizados em quase todos os alimentos processados destinados a passar semanas ou meses sem serem consumidos. Se o açúcar adicionado a bolachas, bolinhos, quiches e batatas fritas já os tornava indesejáveis para consumo, juntam-se agora nos rótulos o óleo de soja, palma e canola, a margarina… De entre todas as gorduras prefira o que sempre existiu num prato português: o azeite.

«Comida a sério», pois claro!

Afinal, o que podemos comer? Como diz Michel Poulain «É na secção dos produtos frescos, na frutaria, no talho e a peixaria do supermercado que se encontra a comida a sério». É esse tipo de comida que comem as pessoas com esperança de vida acima da média localizadas em 5 lugares do mundo: Loma Linda na Califórnia (Estados Unidos), província de Ogliastra – Sardenha na Itália, Icária na Grécia, Okinawa no Japão, e península de Nicoya na Costa Rica. O que têm em comum a alimentação destas pessoas de lugares tão diferentes? Estes campeões da longevidade optam essencialmente por uma dieta à base de alimentos naturais e integrais de origem vegetal, com baixo teor de açúcar e de gorduras, um consumo reduzido de produtos de origem animal e bebem vinho moderadamente às refeições. A par da alimentação, adotam técnicas de gestão do stress, praticam exercício de forma moderada e mantêm uma rede social de apoio e um sentido de comunidade (amor e intimidade, significado e propósito).

“Slow food”, que é como quem diz comida lenta

Por oposição à “fast food”, que é como quem diz comida rápida, anda por aí um movimento de “slow food” que é como quem diz comida lenta. Apresentados os anglicanismos vamos ao importante. A “slow food” não é mais que a forma tradicional de nos alimentarmos, com tempo, que é essa a forma como o homem evoluiu, a pensarmos no que fazemos. Vivemos num emaranhado globalizante e a alimentação não escapa a esse movimento. Desde a farinha que foi usada para fabricar o seu pão, passando pela fruta que vem dos quatro cantos do mundo e ao frango da Tailândia, já teremos sorte se conhecermos as mãos dos agricultores que produzem os nossos vegetais.

2. Um díptico bíblico

As narrativas bíblicas são percorridas pelo tema da alimentação. Alimentos e caminho estão unidos de um modo excecionalmente, apesar de habitualmente comermos sentados – o que é mais saudável! Mas na Bíblia, o mandamento sobre o alimento situa-se na raiz daquele que é, para a lógica bíblica, o segredo ou o sentido da vida humana: uma peregrinação no deserto, rumo à Terra Prometida.

Génesis 2, 15-17

«O SENHOR Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar. E o SENHOR Deus deu esta ordem ao homem: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás”».

Talvez não exista outra realidade mais tangível na qual se revela os nossos instintos de posse como na alimentação ou no ato de comer. A presença do interdito, logo nas primeiras páginas da Bíblia, revela ao ser humano as suas impossibilidades, a existência de espaços sagrados que não pode possuir – seja na restrição da dieta alimentar às ervas com semente e aos frutos das árvores (restrição que depois o próprio Deus deixará cair, mantendo-se a proibição de tocar no sangue, símbolo bíblico da vida), seja na interdição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Somos seres humanos – frágeis, limitados, em construção; mas somos seres à imagem de Deus, com uma vocação de pertença à totalidade, ao Divino, ao infinito, a conhecer o bem e o mal. Mas essa vocação é um dom a receber, a ir recebendo, acolhendo, esperando – não uma posse, uma conquista, um objetivo.

Ao colocar um interdito alimentar – e a sua transgressão – no princípio da sua narrativa, a Escritura traça no símbolo do alimento o percurso da história humana enquanto história de Aliança, de bênção de Deus no seio das ruturas e egoísmos que nos habitam. Diante de nós situa-se o alimento que nos permite viver, a violência da posse que provoca a morte do próximo e de nós mesmos, e o mandamento primordial – não comerás, não matarás. O pecado, a lógica que nos habita, representada na serpente, coloca esse mandamento na luz da perda, da proibição, do impedimento de realizar a vocação humana: tornar-se como Deus. Somente à luz da Palavra, da história de Aliança de Deus com o povo bíblico, se revela a natureza verdadeira do mandamento: colocar diante de nós, à nossa vista, a Árvore do dom, da graça, da vida que nos é dada e não conquistada, acolhida e não possuída. A Árvore simboliza o alimento que não nos pertence, o amor que não podemos comprar, o perdão que não podemos retribuir.

O evangelista João colocará a experiência pascal do Ressuscitado num horto ou jardim (Jo 19, 14ss), e o livro do Apocalipse falará num jardim aberto, com a Árvore da Vida no seu centro (Ap 22,1ss). Na esperança que nos habita, sonhamos com um alimento partilhado e acessível a todos, sem que o bem e o mal nos torne juízes dos nossos irmãos, proibindo-lhes ou racionando-lhes o seu desejo. Tornar-se juíz do outro é vedar-lhe o acesso à Árvore da vida, da vida feliz, da vida em abundância: certamente morrerá. Apenas o Deus de amor e de graça revelado na vida de Jesus pode abrir o caminho do alimento partilhado, do pão multiplicado, pois o seu juízo é de perdão e de misericórdia.

Génesis 18, 1-5

«O Senhor apareceu a Abraão junto dos Carvalhos de Mambré, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, durante as horas quentes do dia. Abraão ergueu os olhos e viu três homens de pé em frente dele. Imediatamente correu da entrada da tenda ao seu encontro, prostrou-se por terra e disse: “Meu Senhor, se mereci o teu favor, peço-te que não passes adiante, sem parar em casa do teu servo. Permite que se traga um pouco de água para vos lavar os pés; e descansai debaixo desta árvore. Vou buscar um bocado de pão e, quando as vossas forças estiverem restauradas, prosseguireis o vosso caminho, pois não deve ser em vão que passastes junto do vosso servo”. Eles responderam: “Faz como disseste”».

O alimentar-se envolve não apenas os limites ou as fragilidades, mas também a hospitalidade. É pela hospitalidade, pela partilha e pelo dom que o gesto de alimentar-se se transfigura, da lógica do egoísmo e do pecado para a lógica da graça. Não é em vão que a nossa vida e o nosso caminhar se cruza com a presença do próximo, parando o seu peregrinar na tenda do encontro.

A vida de Abraão identifica-se com um caminho que não acaba de descoberta e abertura ao novo e ao outro, do qual o convite a “deixar a terra, a família e a casa do pai” é apenas o início – e não há um limite de idade para este “nascer de novo”, como bem explica Jesus a Nicodemus: de acordo com o texto, Abraão tinha 75 anos quando deixou o seu país.

A atenção ao outro, ao próximo, constitui o centro, o núcleo de um caminho cristão, orante e espiritual. É no encontro com o outro, no dom do alimento, na abertura da hospitalidade, no socorro às necessidades – recordemos a parábola do Samaritano de Lc 10, 25-37 – que tem lugar a fecundidade de uma vida, mesmo que de um modo doloroso; de facto, do encontro com os três viajantes, surgirá a boa notícia de que Sara terá um filho.

Conhecemos, nos Evangelhos, os difíceis e incisivos convites de Jesus a trazer para as refeições ou banquetes não os familiares e amigos (lógica da retribuição), mas os viajantes, os pobres, os desconhecidos (lógica da gratuidade). Não anulemos as utópicas passagens evangélicas, mesmo que nos pareçam impossíveis! As refeições bíblicas são, com frequência, episódios de encontro e descoberta do desconhecido, do viajante, daquele que passa e de quem nada conhecemos; e ao longo da refeição e do diálogo que a acompanha, aquele que de nós se faz próxima pela nossa hospitalidade revela a pouco e pouco o seu rosto, descerra-se o seu véu, e abre-se a promessa de uma vida nova – de um filho! Os encontros e desencontros não se dão em vão: o alimento, na epopeia bíblica, torna-se sinal de uma comunhão, de uma bênção, de uma promessa, mesmo no seio da velhice, da derrota, do exílio, da perseguição, do medo, da morte. No partir do pão, o desconhecido abrir-nos-á os olhos para a presença, sempre real, do Divino.

3. Uma aprendizagem do essencial

Entrevista a Carlos Maria Antunes, monge cisterciense

Na tradição monástica, as refeições são acompanhadas da escuta de uma leitura. Palavra e alimento surgem unidos?

«À mesa dos irmãos não deve faltar a leitura» – diz S. Bento na Regra. Apoiando-se na tradição bíblica, Bernardo de Claraval serve-se do vocabulário do sistema digestivo aplicando-o metaforicamente à escuta da Palavra. A Sagrada Escritura é um rico pomar; os alimentos trituram-se com os dentes da compreensão, e são degustados com o paladar do coração, passam ao estômago da consciência, onde são digeridos, e logo se distribuem pelos membros da alma. Para o monge cisterciense do séc. XII, escutar gera um movimento intensamente corporal, muito mais amplo, e com consequências mais profundas, do que um mero entendimento intelectual. A palavra saboreia-se, digere-se e assimila-se: «Guarda a Palavra de Deus da melhor maneira. (…) Mete-a nas entranhas da tua alma; que a assimilem os teus afetos e os teus costumes. Come com gosto, e a tua alma saboreará manjares suculentos».

«O Verbo fez-se carne» e diz de si ser «o Pão da vida». Jesus é Palavra e Pão, alimento quotidiano, Eucaristia, memória pascal, força e luz, porque o caminho apresenta-se longo e quase sempre noturno. Palavra e pão, dons inseparáveis de um Deus que nos segreda: faço em ti a minha morada; viverás de mim e por mim.

A leitura que o monge escuta durante as refeições não é exclusivamente bíblica, porém, a relação com a Palavra de Deus, estritamente entendida, constitui-se como protótipo para a escuta de toda a palavra, pois o monge é habitado por uma predisposição para se deixar interrogar e dialoga com toda a realidade que o visita, não fechando dogmaticamente os olhos ou o ouvido. Ele sabe, por experiência, que quase sempre Deus o espera onde ele não seria capaz de o imaginar.

Na corrida dos dias, em que quase todas as refeições se podem comprar já pré-preparadas ou preparadas, os chef’s de cozinha são campeões de audiência. Desejaremos o regresso a um estilo de vida mais calmo, em que o cozinhar se una a uma arte de viver?

O ritmo a que vivemos, comemos, comunicamos, é tão rápido que nos faz perder o contacto com a própria vida. Não é humano. O tempo humano é um tempo lento: o tempo do crescimento, das relações, do conhecimento, dos enigmas, dos impasses, dos recomeços… Precisamos da vida toda para aprender o essencial: a amar. «Vede como o trabalhador espera o precioso fruto da terra, aguardando com paciência que venham as chuvas temporãs e as tardias» (Tg 5,7). A espera do agricultor e o seu respeito pelo ritmo da terra aproximam-nos da nossa humanidade. A impaciência (e a frustração) com que vivemos o tempo, seduzidos pela eficácia da instantaneidade, não apaga, ou até reforça, a nostalgia de um ritmo outro: mais tranquilo, que permita encontros autênticos, possibilite escutar o próprio coração, contemplar a vida e agradecê-la.

Preparar uma refeição para a família ou para os amigos, tocar e preparar cada um dos ingredientes, imaginar combinações e sabores, acompanhar a sua transformação com paciência (a fogo lento), enquanto cresce o desejo de que todos se sentem ao redor da mesa e que disfrutem e se alegrem, pode ajudar-nos a recuperar o vínculo sagrado com a terra, connosco próprios e com os outros. O gesto demorado guarda um património insubstituível de sabedoria (e de humanidade).

As prescrições alimentares religiosas são algo que, no mundo ocidental, situamos no passado, mas submetemo-nos a prescrições dietéticas bem mais rigorosas. Fará sentido?

As prescrições alimentares, no Cristianismo, são pouquíssimas e apresentadas com grande parcimónia. Mais do que indicar aquilo que se pode ou não comer, pretendem ser uma pedagogia para manter viva uma pergunta essencial: De que vivo? A abstinência, o jejum, a frugalidade, criam espaços de silêncio abertos à hospitalidade, são antídotos para a voracidade consumista dos bens e das pessoas, descentram-nos das nossas necessidades (reais ou imaginárias), possibilitando a circulação da vida e a valorização da gratuidade. Creio que, devido à marginalização do corpo na experiência espiritual, assistimos à erosão de ferramentas tão importantes na arte de viver, mesmo no interior das comunidades cristãs.

São antigas as prescrições dietéticas por razões terapêuticas. Nos nossos dias, são diversamente motivadas e abrangem um leque muito variado de propostas. O que se pretende com determinados rigores dietéticos? Fazem parte de um percurso espiritual, como abertura a si e ao outro? Correspondem a um efetivo compromisso com a Criação, como expressão de pertença respeitosa e solidária? Ou, são apenas mais um “produto” para consumir?

Como vive uma comunidade cisterciense, hoje, a regra de S. Bento no que toca às indicações quanto à alimentação?

Com grande liberdade e simplicidade. Tanto na alimentação como noutros aspetos da vida, São Bento recomenda moderação. Que na casa de Deus tudo seja equilibrado: quer seja a comida, a oração ou o trabalho. Um exercício ascético imoderado pode facilmente ser motivo de orgulho para os mais “fortes” e motivo de desânimo para os mais “débeis”, alimentando a murmuração dentro da comunidade. Os excessos pervertem o sentido pedagógico da ascese: abrir “espaços” de hospitalidade para o Mistério.

Na mesa dos monges, a comida deve ser simples (sem excentricidades) e boa (confecionada com carinho). Onde ainda é possível comer os produtos da própria horta, tanto melhor. Os vegetais ocupam um lugar proeminente e a carne reserva-se para dias especiais de festa.

Adelaide Miranda
Rui Pedro Vasconcelos
Mensageiro de Santo António, janeiro 2020

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