Fundamentos

F. Varillon, O Sofrimento de Deus

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O Sofrimento de Deus

François Varillon sj, Braga 1996, 110 págs. PVP: 8,50 euros

«No começo dum pequeno livro que eu prevejo cheio de pontos de interrogação – é possível que Deus sofra?; pode-se conceber que Ele não sofra? – quero que fique impressa, em forma de afirmação sem reticências, a palavra Alegria: alegria eterna de Deus, alegria esperada dos homens. Esta palavra é essencial para a minha fé.

Se é verdade que há dias em que tudo nos parece envolvido por uma aparente irrisão, nada pode impedir, tão pouco, que no mesmo momento em que o esforço por sorrir termina num esgar, a esperança da alegria permaneça mais forte que a tristeza. Cada manhã que Deus nos oferece, quer o céu esteja límpido quer nublado, quer o coração esteja triste quer alegre, devo responder ao convite litúrgico: ‘Vinde, exultemos de alegria!’. Cada noite, quer o pensamento da morte evocado pelas trevas seja doce ou cruel, devo obedecer à Igreja que me aconselha a murmurar, sempre no plural, no fim da sua oração a Maria, as palavras que ‘se chamam’ uma à outra: alegria e liberdade.

Assim, o dia que se segue imediatamente ao outro dia é imagem da vida segundo a largueza da sua medida: o padre que me baptizou pediu a Deus para que ‘eu o sirva alegre na sua Igreja’; aquele que me assistirá na minha agonia dir-me-á que é com um ‘rosto festivo’ que Cristo há-de vir. Entre a manhã e a noite do dia, entre a manhã e a noite da vida, versículos de salmos trazem até mim, como refrão contínuo que acompanha os trabalhos e os divertimentos, o eco do júbilo imemorial dos hebreus: ‘Caminhamos para Ti na alegria… Servi o Senhor com alegria… Ide a Ele com cânticos de júbilo’.

Muitas vezes, nas horas difíceis nas quais tudo é pesado dentro e fora de mim, quando a vulgaridade das coisas ou a fadiga do espírito impedem toda a música, pedi a S. Paulo para me segredar perto do ouvido a frase singular que ele escrevia aos Romanos (8,18): ‘Penso que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação da glória futura que se manifestará em nós’. Pedi também a Jesus para confirmar aos meus crispados contemporâneos a frase dita aos Apóstolos: ‘O vosso coração se alegrará e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria’ (Jo 16,22).»

Índice

1. Espontaneidade | 2. Bíblia | 3. Reflexão | 4. Poesia | 5. Espiritualidade

One Comment

  1. Fernando J. T. Camelo
    Dezembro 4, 2014

    Para mim – e muitos – um dos livros mais extraordinários, marcantes e inovadores de toda a teologia cristã.
    Muita pena que a sua obra não esteja toda já traduzida em português…

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