
Uma Vida de Jesus
Shusako Endo, Asa 1993
«Nunca lhe vimos o rosto, nunca lhe ouvimos a voz. Na verdade, não sabemos qual foi o aspecto desse homem chamado Jesus. Incontáveis são os retratos que d’Ele fez a imaginação baseada em padrões convencionais: longa cabeleira derramada pelos ombros, barba cuidada num rosto delicado, pómulos ligeiramente salientes. Durante séculos, para O retratar, a maioria dos artistas seguiu este modelo tradicional, procurando cada qual deixar reflectidos nos rasgos do rosto os ideais de piedade peculiares ao contexto histórico que lhes era próprio.
Todavia, nos primeiros tempos da Igreja, o rosto de Jesus nunca foi representado segundo este modelo. Os primeiros cristãos furtavam-se a retratar o rosto de pessoas de reconhecida santidade. Daí a relutância dos artistas da época em pintar o rosto de Jesus de um modo realista, preferindo representá-lo por meio de símbolos: um peixe ou um cordeiro, uma espiga de trigo ou uma vide. No tempo das catecumbas, Jesus aparece-nos tal qual um jovem grego, o rosto imberbe de um adolescente, totalmente diferente da imagem moderna convencional.
Mais tarde, nos alvores do séc. V, a influência da arte bizantina havia de fixar o modelo de rosto que persistiria até aos nossos dias. Estudando esses retratos, podemos descobrir que a humanidade, ao longo da sua dilatada história espiritual, logrou imaginar com o mais alto grau de perfeição e beleza a fisionomia da mais santa de quantas criaturas já existiram.
Efectivamente, ninguém viu o rosto e a figura de Jesus, à excepção daqueles que com Ele conviveram ou com Ele se cruzaram ao longo da sua existência. Nem sequer o Novo Testamento, ao relatar a vida de Jesus, nos dá suficientes pistas quanto à Sua aparência física. No entanto, quando lemos nos Evangelhos, podemos perfeitamente conceber uma ideia muito viva de Jesus, graças àqueles que O conheceram e jamais o puderam esquecer.»
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