Fundamentos

Caminho de Perfeição

O «Caminho de Perfeição» será, talvez, uma das obras mais curiosas de Teresa de Ávila, cujos 500 anos do nascimento estamos a celebrar. Aqui fica uma breve sugestão desta magnífica leitura.

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Caminho de Perfeição
Teresa de Ávila
Editorial Carmelo | 2014 | 198 páginas

Foi há 500 anos, a 28 de Março de 1515, que nasceu S. Teresa de Jesus: mística, reformadora da sua Ordem, Doutora da Igreja, Teresa é uma das maiores figuras da história do Cristianismo. Neste âmbito, as Edições Carmelo publicam uma nova edição do «Caminho de Perfeição» uma obra preparada por Teresa para as monjas do Convento de S. José em Ávila, o primeiro convento fundado segundo a Reforma introduzida pela Santa.

Trata-se de um livro escrito num tom muito familiar, no qual Teresa, a pedido das monjas, reflecte sobre temas essenciais da vida comunitária do mosteiro: a amizade entre as monjas, a vida de oração e trato familiar com o Mestre, as dificuldades vividas num contexto fortemente marcado por uma visão masculina do mundo e da Igreja.

Ao longo da obra, Teresa faz uma defesa da autonomia e liberdade das monjas na sua vida pessoal e comunitária, numa linguagem surpreendente para o seu tempo:

«Tampouco, tu, Senhor, quando andaste pelo mundo, desprezaste as mulheres; pelo contrário, tu sempre, com grande compaixão, as ajudaste. E encontraste mais amor e fé nelas do que encontraste nos homens».

A escrita de Teresa não é académica nem doutrinal: Teresa escreve ao sabor de um diálogo com as leitoras, transitando harmoniosamente entre os temas. Um comentário ao Pai-Nosso transforma-se num conjunto de indicações e sugestões sobre a vida de oração, que Teresa adapta segundo as características pessoais de cada monja.

Da oração vocal à mental, passando pela contemplação e quietude (entendida como descanso e atenção dos sentidos e do entendimento), as indicações de Teresa – escritas a partir da sua própria experiência de procura – têm uma actualidade surpreendente.

A sua herança – a oração como um caminho aberto a todos – continua a ser uma riqueza e um apelo para todos os que se recusam a aceitar que «a oração não é para nós».

«Imaginai o próprio Senhor ao pé de vós e vede com que amor e humildade vos ensina! E crede-me: enquanto puderdes, não estejais sem tão bom Amigo. Se vos acostumardes a tê-Lo ao vosso lado, não conseguireis apartá-Lo de vós, como dizem.»

Texto publicado na edição de Maio do Mensageiro de Santo António

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