Fundamentos

Guerra Junqueiro

«Guerra Junqueiro. Fragmentos de unidade polifónica» é o resultado de anos de investigação do jornalista Henrique M. Pereira. Uma obra agora disponível, e fundamental.

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Guerra Junqueiro. Fragmentos de unidade polifónica

Henrique Manuel Pereira

Ed. Cosmorama | 2015 | 533 páginas

A vida e obra de Guerra Junqueiro (1850-1923) constitui o motivo para a publicação de um estudo da autoria de Henrique M. Pereira, jornalista, investigador do pensamento português e professor na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto. O livro é resultado de duas décadas de investigações no âmbito de doutoramento, fruto do encontro do autor com umas das mais marcantes figuras literárias portuguesas na difícil transição do século XIX para o século XX.

Nesta obra, o autor de A Velhice do Padre Eterno e de Finis Patriae é apresentado como “sendo, antes e acima de tudo, Poeta de múltiplos registos, foi cumulativamente político e diplomata, pensador, colecionador de Arte, homem de ciência, lavrador e viticultor.” Uma figura que suscitou controvérsias, quer pela sua obra literária, quer pelas suas posições firmes e independentes em relação à política ou à Igreja. De si mesmo terá dito o Poeta:

“A minha glória? Chamam-me génio – e cochicham; falam de mim – e não me compreendem. Os políticos consideram-me um poeta; os poetas, um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus, um crente. O que me resta? Fechar-me numa nuvem – e dizer que não estou em casa para ninguém…”

Percorrer este livro é entrar nos horizontes da história, por entre artigos de imprensa, espólios e correspondência do Poeta, críticas e polémicas literárias com contemporâneos e sucessores de uma vida que não conheceu recentemente o estudo e a divulgação merecidas. Da leitura – facilitada por uma escrita cuidada, fruto de um trabalho paciente – resultará um encontro com uma Personagem complexa, que busca a Deus na beleza da Arte ou na piedade popular, contornando os clericalismos e anti-clericalismos com que se enfrentou, e ansiando por uma re-erguer nacional de um país em crise – como hoje.

“A humanidade é seara imensa em chão de areia, / Que Deus recolhe e Deus semeia. // E cada homem, quer o rei, quer o mendigo, / É na seara de Deus um grão de trigo.”

Artigo publicado na edição de Junho do Mensageiro de Santo António

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