Fundamentos

Ainda sobre as Parábolas…

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«O que diremos das parábolas, tão frequentes como eficazes? No seu percurso paradoxal provocam no ouvinte aquilo que narram: saímos da lógica e da óptica banais para uma perspectiva divina que nos faz descobrir o potencial inesperado e inaudito que se esconde em qualquer situação humana – e que, por isso, torna essa mesma parábola uma imagem de graça, de salvação, de uma identidade alargada e profunda. A parábola torna o mundo em símbolo.

E Deus surge como o pano de fundo, o agente, o espaço, o legislador, como Eu, Tu, Nós, como lei escondida do cosmos, como Criador, como instância da história que interrompe os nexos e círculos fechados dos nossos mundos e das nossas projecções, como fenómeno transpessoal.

No fundo, Deus vem nestas parábolas e narrativas: o mistério e a força de transformação e de transgressão de/em qualquer situação (também daquelas realidades que gostaríamos de excluir e que consideramos impossíveis e inaceitáveis, como a doença, a morte, o inimigo, a finitude), tornando-a num evento de revelação da Graça, como símbolo de uma futura reconciliação, como gérmen de uma glória que já iluminou a nossa infância e que, como esperamos, resplandecerá também no meio dos nossos fracassos e na hora da nossa morte, quando nos deveremos abandonar nas mãos e no olhar de um Outro de quem fomos, apenas, um reflexo longínquo, uma palavra breve, um espelho turvo.»

Elmar Salmann, «Passi e Passagi nel Cristianesimo», Assis 2011

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