Byung.Chul Han | Edição: Relógio d’Água
Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, é uma voz direta e original do nosso tempo. Ao contrário do que possamos esperar de um texto filosófico, a sua escrita é concisa, marcada por sentenças que nascem da sua observação da sociedade digital e neoliberal na qual vivemos. É uma escrita de alerta, uma constante chamada de atenção para os mecanismos que envolvem o nosso viver e para os quais não temos defesas preparadas: o excesso de positividade que não dá espaço para o sofrimento ou a diferença, a busca constante da transparência que recusa a hipótese da privacidade, ou a exploração – mais que opressão, segundo o autor – da nossa liberdade, em nome da produtividade e da publicidade.
Neste ensaio que chega agora às mãos do leitor português, Byung-Chul Han faz uma leitura do processo de globalização que atravessa a sociedade ocidental, associando com os fenómenos de xenofobia, precaridade laboral e predominância do digital e das redes sociais. Esta sociedade global, digital e neoliberal procura nivelar as diferenças e preencher os espaços vazios indispensáveis para uma relação saudável com o outro e consigo mesmo. O indivíduo é submetido à tirania da autenticidade, à recusa das limitações próprias do humano, em nome das selfies. A voz do outro é silenciada na sua diferença. Num livro de tom pessimista, sóbrio na argumentação, o autor abre espaços e caminhos de libertação: a aprendizagem da hospitalidade como respeito e acolhimento do outro na sua riqueza e diversidade, e de si mesmo na nossa vulnerabilidade.
“A política do belo é a política da hospitalidade. A xenofobia é ódio e é feia. É expressão da falta de razão universal, indica que a sociedade se encontra num estado ainda irreconciliado. O grau de civilização de uma sociedade pode medir-se precisamente em função da sua hospitalidade, ou melhor, em função da sua amabilidade. Reconciliação significa amabilidade”.
In Mensageiro de Santo António, junho 2018
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