Fundamentos

J. Gaillot, No que eu Acredito

CR016

No que eu acredito

Jacques Gaillot, Piaget 1998, 127 págs. PVP: 7,90 euros

Pelo autor, actualmente bispo de Partenia (querem saber onde fica?

http://www.partenia.org/portugues/partenia_pt.htm

«Desde há um mês, moro num prédio abandonado da rua du Dragon. A rua du Dragon situa-se no centro de Paris, perto da rua de Rennes e do boulevard Saint-Germain. Bastante estreita, tem muito movimento e acolhe lojas e restaurantes de qualidade (…) Este é o prédio que ocuparam em 1994, no início do Inverno, cerca de três centenas de pessoas sem abrigo ou mal alojadas. As famílias, a maioria com crianças, instalaram-se na parte de habitação, os solteiros nos escritórios, e disponibilizaram-se as salas para as associações que se ocupavam dos excluídos. As situações de uns e outros são bastante diferentes: desde as pessoas mais ‘normais’ até aos drogados, doentes com sida, alcoólicos, pessoas sem rumo (…)

Após algumas semanas, algumas famílias vieram ter comigo e disseram-me: ‘Precisávamos que nos celebrasse uma missa’. Preocupado com o respeito pela liberdade das pessoas, nunca tocara no assunto. Estamos a dois passos da igreja Saint-Germain-des-Prés, mas parece claro que os habitantes do prédio não são grandes frequentadores da paróquia. Duas ruas, e sobretudo dois tipos de situação, separam dois mundos. ‘Está bem, direi a missa’. Aonde? Rapidamente chegámos a acordo: há uma sala onde as famílias se reúnem todas as semanas. Não tem um aspecto muito bonito, e as escadas que aí conduzem estão bastante sujas. Não tem importância: encarregamo-nos de tudo e de manhã encontrei a sala repleta de decorações. É um muçulmano que limpa as escadas. Fica muito contente por fazê-lo. É a sua forma de participar.

Uma mesa, onde arranjar uma mesa? E os bancos? Pensa-se em grande: uma centena de pessoas. Na verdade, acabaremos a celebração muito apertados, devido a tanta afluência. São feitos os últimos preparativos. Pão, vinho. Ninguém tem vinho. Vêm fazer-me queixa de tal falta. ‘Estou na mesma situação que vocês, não tenho nada.’ ‘Vamos pedir ao Gilles. Costuma ter sempre.’ Sim, Gilles, o vagabundo, ainda tinha um resto de reserva. ‘Vinho tinto, serve?’ ‘Claro, é vinho.’ ‘Pois é!’ Palavras que têm muito significado! O que entendemos por ‘sinal’ está de tal forma sacralizado, que já não pode corresponder à simples realidade, esta realidade que um vagabundo vive todos os dias (…)

Estamos atrasados. Mas tudo parece por fim estar pronto. As famílias e as crianças estão à frente. Atrás, apoiados contra a parede, alguns homens fumam conscienciosamente o seu cigarro, mas estão muito atentos. Algumas pessoas do exterior também se juntaram a nós: a notícia espalhou-se. Até estão presentes dois padres: uma verdadeira missa solene! Subitamente, interrupção: quatro argelinos chegam. Tinham-me telefonado na véspera por causa de um assunto ‘urgente’. Marcara um encontro com eles, mas estão adiantados. Proponho-lhes que me esperem no exterior, ou então que assistam à missa. Não hesitam. Estão aí. As pessoas afastam-se para lhes dar um lugar.»

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