Fundamentos

Dilatas a Esperança…

hispano

Nos séculos V a VII da era cristã, floresceu pela Península Ibérica um rico património litúrgico, chamado hoje de ritual Hispano e Moçárabe (nome referente aos cristãos que viveram sob o domínio muçulmano na Península). Hoje, é possível celebrar ainda nesta tradição da Igreja, em algumas comunidades de Espanha (especialmente na Catedral de Toledo).

Desta tradição (que forma parte da Igreja, católica/universal em toda a sua história) podemos receber as suas belas orações litúrgicas, a par dos seus gestos e símbolos (o Abraço da Paz antes da Oração Eucarística, por exemplo). Partilho aqui a oração de Prefácio para o IV Domingo do Tempo Pascal, a partir da edição publicada recentemente pelo Centre de Pastoral Litúrgica de Barcelona. Porque, mais do que explicações ou definições da fé, é na linguagem poética e simbólica que poderemos, talvez, chegar a tocar mais de perto o Mistério.


(…)

É digno e justo dar-te graças e louvar-te, a Ti, Senhor, que permaneces no Pai reinando com o Espírito Santo, a Ti que, pelo grande e admirável mistério do teu amor, manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado às nações, acreditado neste mundo, exaltado à glória, nos libertastes dos perigos do inferno.

Distribuindo os dons da unção e da graça divina, Tu nos convidas à dignidade sacerdotal e à distinção da nobre realeza, como uma raça eleita e um povo adquirido; associando-te ao género humano e tendo-te dignado assumir a nossa natureza, justo pelos injustos, piedoso pelos ímpios, pregado pelas culpas alheias, reconciliaste-nos com Deus. Com a tua humildade nos levastes, com as tuas afrontas nos honras, com as tuas feridas nos curas, com a tua morte nos vivificas.

Anulando qualquer direito que a morte tivesse sobre nós, apagando e aniquilando o protocolo que nos era contrário, dilatas a esperança da nossa liberdade até à felicidade da graça celestial. Com as primícias da tua vitória e da tua ressurreição Tu nos convidas aos dons da felicidade eterna.

Desejoso de levar ao céu aos redimidos, sobes a Deus Pai como precursor da nossa chamada, de modo que, como redentor na terra e intercessor no céu, libertes pela tua paixão aos escravizados e defendas com a tua intervenção aos cativos; Tu os admites à comunhão do teu corpo e do teu sangue, não só para a receber, mas também para serem consagrados pela graça da santidade que outorga, de modo que possamos oferecer a Deus Pai e a Ti, Senhor, o sacrifício do pão e do vinho instituído por ti; e, ainda que não possuam a qualidade conveniente, por razão da própria inconsistência como criaturas, que adquiram a sua adequada potência pela bênção espiritual.

Tendo recebido pela bênção um início de imitação evangélica, e aprendendo os mistérios dos segredos celestes, proclamemos os louvores que os anjos e os arcanjos te cantam, Senhor, para glória do Pai junto do Espírito Santo, imitando a felicidade dos espíritos celestes…

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@wpshower

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