Elmar Salmann é alemão e beneditino; os seus livros, infelizmente ainda não disponíveis em Portugal, são um respiro na teologia. Este é um breve excerto, sobre a beleza de Deus.
«Um tal Deus deve ser livre e libertador sem cair na veleidade e na arbitrariedade, porque está vinculado à sua própria índole. Será Pessoa sem ser um sujeito ou um indivíduo isolado, fechado em si, perfeito, porque é jogo e espaço inter-pessoal. Será transpessoal sem ser uma estrutura ou sociedade anónima, mas sim um espaço de reciprocidade. Será diálogo sem se fechar numa intimidade dual, porque é triádico, espacial.
Será um Eu, mas nunca sem um Tu a corresponder-lhe – e um Tu que é ele próprio um verdadeiro Eu. Será uma natureza comum sem se tornar sufocante ou anónimo, porque a sua natureza é um Nós primordial, uma comunhão originária, a força amorosa que é condição, acto e conteúdo da sua própria comunicação e partilha. Será um Ele distante, instância objectiva sem se tornar frio, separado, porque salvaguarda a liberdade do outro.
Será maternal sem se tornar asfixiante, porque é espaço de comunhão e de consciência; será Pai sem cair num paternalismo, porque comunica toda a sua natureza comum; será Filho sem qualquer dependência humilhante. Será Espírito sem cair num intelectualismo ou espiritualismo, porque é vínculo, elemento, dom, sigilo, força, o ambiente da vida em comunhão; Palavra não somente informativa, nem pura voz, mas síntese entre voz, presença, comunicação e verdade.
É mistério, campo elítico, jogo de amor sem cair no sentimentalismo, em projecções ou confusões, porque o Amor, n’Ele, significa sentido de proporções, união entre o amor (circular) de si e amor extático em direcção ao outro.»
Elmar Salmann, “Passi e Passagi nel Cristianesimo”, Torino 2001
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