«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.» (João 15,9-17)
A Igreja, as comunidades cristãs como verdadeiros espaços de amizade, entre os seus membros e para todos e cada uma das pessoas; não será esse, essencialmente, o centro da nossa missão, o sinal do Reino, da Nova Humanidade? Para um hoje, um pequeno texto, um pouco diferente do nosso habitual, de Ermes Ronchi, sobre a amizade (Ermes Ronchi, «Os Beijos não Dados», ed. Paulinas, Prior Velho 2012, pág. 69). O ícone vem do Egipto, possivelmente dos séculos VI-VII, e retrata um monge egipcio do séc. III, Abba Menas, como amigo de Cristo. Para o final, «Reflexos» de Bernardo Sassetti. Um bom fim-de-semana.
«Nada nos torna mais felizes do que sentir sermos algo para os outros, para o seu coração. E não conta o número daqueles para os quais somos importantes, mas a intensidade. Esta é a benção para toda a terra: querer-se bem, pessoa a pessoa, coração a coração, casa a casa, clausura e aldeia, até envolver a cidade inteira do homem.
Adão, senhor de todas as coisas, busca no Éden uma ajuda semelhante a ele. Busca a coisa mais importante da sua vida: o assombro da infinita abertura. Ao outro, ao mundo, a si mesmo. Adão está triste: o paraíso não vale a ausência de Eva. Que não é o objecto do desejo sexual, mas muito mais: o símbolo de todas as relações humanas, de toda a amizade do cosmo. Aquela que obtém resposta da tua vida muda. Só quando te sentes amado, podes desabrochar em todos os teus aspetos; só quando te sentes escutado, dás o melhor de ti próprio.
Eros é a parábola humana mais universal e mais reveladora. E, desde o início, aprendemos que cada evento de amor é sempre decretado pelo Céu. O amor, em todas as suas formas, desvenda o sonho de Deus de que está repassada toda a criação. Porque ao mistério que é o homem, no seu enigma e na sua verdade, acede-se apenas através da porta do coração, da verdade do amor. Cada história de amor e de amizade põe a nu a verdade da nossa alma. Ali podes ser tu próprio, sem hipocrisias e sem exibicionismos. O cartesiano ‘Penso, logo existo’ torna-se ‘Amo, logo existo’, como diz Jean-Luc Marion.»
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