Fundamentos

Património Universal da Humanidade

A chegada destes livros à Fundamentos tem a sua história: acabo de receber uma encomenda da Assírio&Alvim quando, no próprio dia, um amigo me pede que lhe encomende um livro de poesia recém-publicado. “Como é que vou fazer uma nova encomenda?”, pensei. Vasculho o catálogo da Assírio&Alvim. O que descubro é surpreendente. (acabados de chegar, com o Verão parece. Uma boa semana!)

Hildegard Von Bingen, «Flor Brilhante». Introdução e Tradução de Joaquim Félix de Carvalho e José Tolentino Mendonça. Lisboa 2004, 207 págs. PVP: 16,00 euros

Segundo as notícias será proclamada Doutora da Igreja por Bento XVI; em 2004 a Assírio&Alvim lançou um conjunto de poemas, antífonas e hinos que a abadessa beneditina do séc. XII elaborou para a liturgia do seu mosteiro.  Do prólogo dos tradutores: «Por 1140 e finais da década de 1150, Hildegarda, para prover às necessidades litúrgicas do convento de Rupertsberg, compôs diversas peças eucológicas: antífonas, responsórios, hinos e sequências. Ela própria confidenciará a Gofredo, seu biografo: ‘Compus também poemas e melodias para louvor de Deus e dos santos, sem que alguém mos ensinasse, e cantava-os, mesmo se ninguém me tivesse ensinado a notação musical ou o canto». Aqui fica um desses poemas: «Ó Eterno Deus, agrade-te agora | arder aquele imenso amor, | que nos torna partes, | daquele amor | com que geraste teu Filho | na primeira aurora, | antes de toda a criatura, | e fixa teus olhos na fatalidade que se abate contra nós: | afasta-a de nós por teu Filho, | e conduz-nos na alegria da Salvação.»

Santa Teresa de Ávila, «Seta de Fogo: 22 poemas». Tradução, prólogo e notas de José Bento. 2ª edição, Lisboa 2011, 135 págs. PVP: 7,00 euros

Autores que, mais do que se tornarem ‘literatura religiosa’, se tornam Património da Humanidade. Edição da responsabilidade de José Bento, reúne alguns dos poemas mais belos que Santa Teresa escreveu. «Formosura que excedeis | mesmo as grandes formosuras! | Sem ferir, sofrer fazeis, | e sem sofrer desfazeis | o amor das criaturas. | Oh, laço que assim juntais | duas coisas tão díspares! | não sei porquê vos soltais, | pois atado força dais | pra ter por bem os pesares. | Quem não tem ser vós juntais | com o Ser que não se acaba; | sem acabar acabais, | e sem ter que amar amais, | engrandeceis vosso nada.»

«O Grito do Gamo: Poemas Celtas da Fé e do Sagrado». Tradução de José Domingos Morais. Lisboa 2004, 75 págs. PVP: 7,00 euros

Porquê “O Grito do Gamo”? Explica José D. Morais, sobre S. Patrício evangelizador da Irlanda no séc. V: «Chegado à Irlanda iniciou a sua obra missionária e ergueu o primeiro templo cristão da ilha em local que para o efeito lhe foi oferecido pelo primeiro chefe indígena que converteu. Para fugir dos perigos, iludir as perseguições e defender-se das ameaças a que continuamente estava sujeito, recitava um hino que ficou conhecido na história e na literatura como ‘O Grito do Gamo’ ou ‘A Couraça de São Patrício’, cuja autoria lhe está atribuída.» Eis um excerto deste ‘Grito’: «Eu levanto-me hoje | Pelo poder de Deus em me guiar: | A força de Deus para me amparar, | A sabedoria de Deus para me ensinar, | Os olhos de Deus para olharem por mim, | Os ouvidos de Deus para me ouvirem, | A palavra de Deus para falar por mim, | A mão de Deus para me guardar, | O caminho de Deus para eu trilhar, | O escudo de Deus para me proteger»

«O Dom das Lágrimas: Orações da Antiga Liturgia Cristã». Introdução e Tradução de Joaquim Félix de Carvalho e José Tolentino Mendonça. Lisboa 2002, 59 págs. PVP: 6,50 euros

Do prólogo, pelos tradutores: «As lágrimas são um mapa pleno de significação e de leituras. Temos muitas maneiras de chorar e, o modo como o fazemos, revela não só a temperatura dos sentimentos, mas a natureza da própria sensibilidade. Ao chorar, mesmo na solidão mais estrita, dirigimo-nos a alguém: esforçamo-nos para que ninguém veja que choramos, mas choramos sempre para um outro ver (…) A edição, que agora se dá à estampa, reúne as orações da antiga liturgia cristã que suplicavam o dom das lágrimas.» Aqui fica uma destas orações: «Vacilas por ternura Deus omnipotente | da pedra fonte da água viva rompeste | a um povo sedento | retira da nossa dureza a compunção das lágrimas | longo pranto por nossos pecados concede | pois vendo-nos assim te compadeces | e obtemos remissão»

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