Fundamentos

«El Cristo de Vélasquez»

«El Cristo de Vélasquez» foi escrito originalmente em 1920, por Miguel de Unamuno, filósofo e poeta espanhol (1864-1936); partilho um excerto, retirado de «Antologia Poética», ed. Assírio&Alvim, Lisboa 2003.

«Pois, Cristo, és o único | Homem que sucumbiu por o querer, | Triunfador da morte, que até à vida | por Ti foi levantada. E desde então | por Ti nos vivifica essa tua morte, | por Ti a morte fez-se nossa mãe, | por Ti a morte é o amparo doce | que dulcifica os amargores da vida; | por Ti, o Homem morto que não morre, | branco como a lua nocturna. É sono, | Cristo, a vida, e é a morte vela.

Enquanto a terra sonha solitária, | a branca lua vela; vela o Homem | na sua cruz, enquanto os homens sonham; | vela o Homem sem sangue, o Homem branco | como a lua da noite negra; | vela o Homem que deu todo o seu sangue | para que todos saibam que são homens (…)

Tu que te calas, oh Cristo, para ouvir-nos, |ouve de nossos peitos os soluções; | acolhe nossas queixas, os gemidos | deste vale de lágrimas. Clamamos | a Ti, Cristo Jesus, desta caverna | do nosso abismo de miséria humana, | e Tu, da humanidade o branco cimo, | dá-nos as águas de tuas neves. Águia branca que o céu abarcas em teu voo, | pedimos-te o teu sangue; a Ti, a vinha, | o vinho que consola ao embriagar-nos; | a Ti, lua de Deus, o doce lume | que na noite nos afirma que o Sol vive | e nos espera; a Ti, coluna forte, |esteio onde pousar;

Ó Hóstia Santa, | pedimos-te o pão da nossa viagem, | como esmola, por Deus; suplicamos-te | a Ti, Cordeiro do Senhor que lavas | os pecados do mundo, o velocino | do ouro de teu sangue; pedimos-te | a Ti, a rosa da sarça bravia, | a luz que não se gasta, essa que mostra | como Deus é quem é; a Ti, que a ânfora | do divino licor, que o néctar ponhas | de eternidade em nossos corações.»

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