Fundamentos

à espera…

Porque tudo entra neste Tríduo Pascal, neste Drama que se desenrola, o Drama de um Homem, o Drama da Humanidade: desde a Comunhão (ou a procura dela), encontrada mas ainda não realizada, marcada pela presença mas também pela traição, pela procura e pela incompreensão, pela entrega de Amor e pela fuga na sobrevivência, pela memória que leva que conduz ao futuro e pelo medo do presente – Quinta-Feira, ou a Ceia do Senhor. Acompanhamos um processo, no qual a Injustiça tem o lugar cativo, rodeada pela Mentira e pelo Medo – de todas as vítimas, de todos os excluídos que morrem, como o Justo, fora das muralhas da Cidade, dos seus muros, das suas avenidas – mas, como bem o proclamam, em segundo plano, os Evangelhos, não é a injustiça quem preside a este Drama, a este Processo, mas sim a Liberdade de alguém que se entrega por Amor e vence com o Amor os poderes de morte. Mesmo assim, ainda não o sabemos, ainda o sofremos, ainda o experimentamos – Sexta-Feira, ou a Paixão do Senhor. E o Sábado-Santo será dia de espera, porque tudo parece concluído, no final tudo terminou, com alívio – depois de um Drama destes, a Sepultura será um alívio. E agora, o que faremos?

No meio de todo este Drama, é mais do que evidente onde encontramos a presença de Deus-Pai – no Justo, no Servo não-violento. Deus não está presente nos que o condenam, Deus não quer a morte do Justo, Deus não quer a morte das vítimas – dizê-lo, pensá-lo, proclamá-lo é mentir à Verdade. Um Homem destes, morrer assim, é uma Injustiça – e todos os anos não poderemos deixar de o proclamar, juntamente com todas as vítimas que, todos os anos, continuam a sofrer a Injustiça. E sabendo que só a Comunhão, inaugurada na Quinta-Feira-Santa, poderá vencer. Poderá? Ainda é Sexta, ainda temos o Sábado, há que esperar.

E ficamos com um poema de Juan Gonzalo Rose, La Pregunta, que encontramos em Gustavo Gutiérrez, «Hablar de Dios desde el Sufrimiento del Inocente». A Fundamentos, essa, reabre Segunda-Feira de manhã, para continuar este lento caminho de um Projecto que está a iniciar-se. Boa Páscoa.

«A minha mãe dizia-me/Se matas com pedradas os passarinhos brancos/Deus castiga-te; se te metes com o teu amigo,/o que tem carinha de asno/Deus castiga-te./Era o sinal do Deus das duas varas/e dos seus dez mandamentos teologais/que cabiam na minha mão/como dez dedos mais.

Hoje dizem-me:/Se não amas a guerra,/se não matas diariamente uma pomba/Deus te castigará;/se não agarras o negro/se não odeias o ‘vermelho’/Deus te castigará;/se ao pobre de ideias/em vez de dar-lhe um beijo,/se lhe falas de justiça/em vez de caridade/Deus te castigará/Deus te castigará.

Este não é o nosso Deus/pois não, mãe?»

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@wpshower

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