… é o título do mais recente livro publicado pelo AO, do jesuita irlandês Michael Paul Gallagher que ficou conhecido, entre nós, pelo livro «Livres para Acreditar». Aqui fica um excerto:
«Existe uma famosa pintura de Joseph Mallord William Turner que representa um pequeno barco de pesca agitado pelas ondas e rodeado de nuvens de temporal dramáticas e ameaçadoras. Mas numa tal obscuridade aparecem duas fontes de luz: uma do céu, através de uma abertura entre as nuvens, e uma mais pequena, que resplandece de modo claro na própria embarcação. Não obstante os perigos do mar, a terra não está muito distante e é visível na parte esquerda do quadro.
Os conteúdos deste pequeno texto terão algo em comum com esta pintura, no sentido em que espero oferecer um olhar honesto sobre a crise de fé que hoje está no centro das nossas preocupações. Se a cultura é como um oceano que nos domina, esse oceano é muito mais confuso e turbulento do que alguma vez foi na minha infância e é necessário discernir algumas das suas correntes transversais. Além disso, o objectivo destas páginas é indicar pontos de luz naquilo que, à primeira vista poderia parecer a cena de um desastre (…)
Desejo afirmar que, para além do indubitável sofrimento e confusão destes anos, estamos diante do desafio de imaginar uma qualidade diferente do empenho cristão e, portanto, diante do desafio de redescobrir Cristo como novidade regeneradora de vida. Tal expressão é retirada de algumas afirmações do grande teólogo francês Henri de Lubac contidas no seu livro “O drama do humanismo ateu”, publicado há sessenta anos. Nessas páginas, de Lubac descrevia Cristo como «o grande perturbador», mas também como uma inédita imagem de Deus e uma inédita imagem da humanidade, que traz uma frescura surpreendente a um mundo cansado.
Exaltava o contraste entre a explosão de alegria do Cristianismo e uma religião do destino, acrescentando que toda a aventura de Cristo foi, no fundo, um escândalo para aquele mundo. Por isso, perguntava-se com surpresa como se tinha podido chegar a uma situação na qual a fé cristã aparecia como o inimigo da plenitude humana ou, pior ainda, como uma lenda vazia e aborrecida. Estas mesmas acusações estão hoje vivas e de boa saúde, não obstante o contexto cultural ser bastante diferente daquele que de Lubac conheceu.»

«A Surpreendente Novidade de Cristo: sustentando a fé para o amanhã».
Michael Paul Gallagher sj | ed. AO, Braga 2012 | 87 págs | PVP: 5,00 euros
Um contexto cultural complexo | Um oceano quotidiano | Com correntes perigosas | Da pré-modernidade à modernidade | O cenário pós-moderno | Vulnerabilidade e esperança | Que secularização? | Uma parábola para os nossos dias | O triângulo dos três «D» | Desbloquear um espírito de abertura | A centralidade da decisão | Coragem de ser diferente | O drama da imaginação | «Praticando» a religião | No limiar da paralisia | Estar vivo tem um preço | Rumo a uma catequese cristã | Conclusão: Rumo a uma linguagem digna (de Deus)
Obras de Michael P. Gallagher | Espiritualidade | edições AO
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