E aqui está a primeira publicação de 2013 a chegar à Fundamentos: é um prazer que seja do autor que é, da editora que é, e do tema que é. Eis um breve excerto:

Karl Rahner
ed. Franciscana | Braga 2013 | 61 págs. | PVP: 5,50 euros
«O Concílio, começar de novo» é o título de uma conferência que Karl Rahner realizou em Munique a 12 de Dezembro de 1965, por ocasião da conclusão do Concílio Vaticano II. No período anterior ao Concílio Karl Rahner, professor de teologia em Munique, havia já publicado diversas obras e conferências, algumas das quais o levou a ser visto com suspeita por parte do então Santo Oficio em Roma, considerando-o um teólogo progressista. No entanto, João XXIII nomeou-o como um dos teólogos do Concílio, presente na comissão central. O contributo de Rahner para o desenrolar do Concílio seria bastante significativo.
Na comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio, a editorial Franciscana publica em português esta pequena conferência que, como é normal nos escritos deste teólogo alemão, é marcada pela densidade de pensamento, e pela força das intuições. Aqui fica um breve excerto, do início da obra:
«O Concílio terminou. Sempre que algo bom chega ao fim, fica-nos um misto de gratidão, de encanto e de medo perante o mistério da história. E interrogamo-nos: o que aconteceu verdadeiramente? O que virá a serguir? É assim também no fim do Concílio. E interrogamos: o que aconteceu, onde estamos, o que será o futuro?
O que aconteceu? Realizou-se um Concílio da santa Igreja católica romana. Será que a Igreja se saiu bem nesta hora de graça que Deus lhe concedeu? Se colocamos a questão desta forma e dizemos que sim, então este sim não significa mais do que um dever de agradecer de todo o coração a Deus esta graça. Sair-se bem nesta hora de Deus é, por si só, uma graça.
O que aconteceu então? Um Concílio. O facto de ter acontecido tem em si mesmo um grande significado. Hoje é difícil afirmar se no futuro o princípio sinodal-colegial da Igreja se voltará a afirmar desta forma concreta em futuros concílios. Tendo em conta as dificuldades técnicas, quase insolúveis, torna-se difícil organizar um Concílio na sua forma actual. Mas a instituição do Sínodo dos Bispos, caso não se torne um órgão meramente consultivo, poderá considerar-se na sua essência teológica um Concílio, realizado com mais frequência.
Mas o facto de este Concílio se tornar, durante muito tempo, o acontecimento central da Igreja e que tenha enfrentado as questões fundamentais, tem em si mesmo grande significado teológico para a compreensão da Igreja, na sua dimensão teórica e prática. Mostrou-se, efetivamente, que o princípio colegial-sinodal da Igreja, não obstante ter o Papa como cabeça, continuou sempre uma grandeza real e poderosa na Igreja e – na medida em que talvez estivesse um tanto ofuscado – voltou a aparecer com mais clareza (…)
Foi um Concílio: uma assembleia autónoma com iniciativa própria, plural, espontânea e livre, que, no entendimento da fé católica, colabora com a sua cabeça, o Primaz da Igreja, que exerceu e respeitou essa liberdade, não permitindo que a comunidade dos seus irmãos bispos descesse ao nível de uma assembleia de améns e de aplausos acríticos. A cooperação entre o Papa e o Concílio, segundo o entendimento católico, não se pode reduzir a uma instituição de procedimentos jurídicos. Há momentos inesperados e acontecimentos que refletem a realidade do sofrimento e da escuridão que lhe é inerente. (…)
Foi um Concílio em liberdade e amor.» (pág. 19ss).
Obras de K. Rahner | Teologia | Editorial Franciscana
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«O que aconteceu, onde estamos, que futuro?» – Apresentação do livro
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