Faz hoje 50 anos da morte do «Papa Bom» que, um dia, preparou tudo para que os bispos da Igreja Católica se pudessem encontrar e deliberar; um excerto, traduzido, do seu diário íntimo:

Compêndio das grandes graças feitas a quem tem uma baixa auto-estima, mas que recebe as boas inspirações e as aplica com humildade e confiança: (…) Ter-me feito aparecer com simplicidade e de imediata execução algumas ideias nada complexas, simplicíssimas pelo contrário, mas de vasto alcance e responsabilidade perante o futuro, e com êxito imediato. Que expressões estas: acolher as boas inspirações do Senhor com simplicidade e confiança. Sem nunca ter pensado nisso, no meio de um primeiro diálogo com o meu Secretário de Estado, a 20 de Janeiro de 1959, terem saído as palavras Concílio Ecuménico, Sínodo diocesano, revisão do Código de Direito Canónico, contrariamente a qualquer suposição ou imaginação minha neste ponto.
Fui o primeiro surpreendido com a minha proposta, sem que ninguém me tivesse uma indicação a esse respeito. Posteriormente tudo me pareceu tão natural no seu imediato e contínuo desenrolar. Depois de três anos de preparação, certamente laboriosa, mas também feliz e tranquila, já estou aqui aos pés da montanha santa. Que o Senhor me sustente para tudo levar a um bom fim (…)
11 de Outubro de 1962:
Este é o dia da solene abertura do Concílio ecuménico. Todos os jornais dão a notícia e Roma está no coração exultante de todos. Dou graças a Deus por me ter feito digno da honra de abrir, em seu nome, este princípio de grandes graças para a Igreja Santa. Ele dispôs que a primeira centelha que preparou, durante três anos, este acontecimento saísse da minha boca e do meu coração. Estava disposto inclusive a renunciar à alegria desta abertura. Com a mesma calma repito o faça-se a tua vontade em relação ao ter-me mantido neste primeiro lugar de serviço durante todo o tempo e para todas as circunstâncias da minha humilde vida, ou a ter-me interrompido a qualquer momento, porque este compromisso de proceder, continuar e concluir passe para o meu sucessor. Faça-se a tua vontade, na terra como no céu.»
Juan XXIII, «Diario del Alma». Ed. San Pablo, Madrid 2008, pág. 415ss
Veja também: Caderno Fundamentos 3 «O Diário do Concílio» de Henri Fesquet
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