Fundamentos

Em Memória: Ignacio Larrañaga

Foi em Agosto de 2011 em Fátima que Nuno Monteiro conheceu pessoalmente a Ignacio Larrañaga. Uma semana após a morte do capuchinho espanhol, o testemunho sobre o encontro e a obra de frei Ignacio.

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Como é certa a afirmação que apresenta o mundo como uma aldeia global. Num mundo ligado às redes sociais a informação atravessa os mares e continentes em segundos. Assim, segunda-feira, dia 28 de Outubro do corrente ano, tive conhecimento da morte de Frei Ignacio Larrañaga através das redes sociais da Família Religiosa à qual pertencia o sacerdote – Franciscanos Capuchinhos do Chile.  

Frei Ignacio Larrañaga nasceu em Espanha (Loyola) a 4 de maio de 1928. Foi ordenado sacerdote em 1952 em Pamplona. Durante alguns anos desenvolveu o seu ministério pastoral em Espanha. Em 1959 foi enviado para o Chile, onde desenvolveu uma vida pastoral ativa. Em 1965, foi um dos fundadores do Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina. Foi organizador de conferências e retiros, escritor com mais de uma dezena de livros de espiritualidade cristã publicados em várias línguas, dinamizador de semanas bíblicas e de espiritualidade franciscana. Destas semanas e da ação missionária no Brasil surgiram os «Encontros de Experiência de Deus». Inspiradas em tais Encontros, nascem, em 1984, as «Oficinas de Oração e Vida».

As Oficinas de Oração e Vida (TOV) é um serviço eclesial aprovado e reconhecido pela Santa Sé desde 1997. Frei Ignacio dedicou aproximadamente dez anos na consolidação das Oficinas de Oração e Vida, produzindo guias e material para os encontros em todo o mundo. Os objetivos das Oficinas de Oração e Vida são:

  • “Ensinar os participantes (oficinistas) a orar, de uma forma experimental e progressiva, apoiados firmemente na Palavra e mediante variadas modalidades de oração, introduzindo-os, assim, na oração litúrgica e na vida sacramental, de acordo com o Ensino do Magistério Eclesiástico e uma adesão efetiva ao Sumo Pontífice e à Hierarquia Laical, mantendo relações estreitas, fluidas e permanentes com os Pastores da Igreja Católica.
  • Recuperar a paz interior, mediante a prática intensiva da fé e do abandono.
  • Entrar resolutamente num processo de santificação cristificante, tendo como modelo Jesus Cristo, pobre e humilde.
  • Estimular o cristão a participar ativamente na missão sacerdotal, profética e régia de Jesus Cristo, fazendo de cada oficinista um apóstolo integrado na Paróquia, nos diferentes serviços que esta ofereça, segundo a sua vocação, tempo, estado civil e possibilidades”.

Sempre com uma agenda sobrecarregada, incansável, percorria o mundo para animar os “Encontros de Experiência de Deus”. Em Agosto de 2011 (após ter feito a experiência das Oficinas de Oração e Vida na minha paróquia uns meses antes) Frei Ignacio passa por Fátima para animar um “Encontro de Experiência de Deus”. Não hesitei e inscrevi-me – Um encontro marcado pelo ritmo da oração, do silêncio, da descoberta, da relação, da comunhão, da busca, do contacto com a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Momentos fortes de intimidade com Deus o autor da nossa vida e que é todo Ele amor. Disse Frei Inácio como pórtico da semana “Vocês vieram em busca do rosto de Deus, e vamos regressar a casa com o Deus vivo; recuperar o encanto de Deus para encontrar o encanto da vida”. E esta “Experiência de Deus” frisou Frei Inácio, deve ser vivida ao longo da nossa vida, dia após dia. É essencial estar com Aquele que está por detrás do silêncio; o grande Invisível que se faz presente nos profetas de Deus, homens e mulheres que têm uma forte experiência de Deus. Depois desta semana nenhum dos participantes pode ficar indiferentes a tal vivência de Deus. Quem não se sentiu desinstalado, provocado, com uma ânsia enorme de se pôr a caminho, partir, peregrinar, entregar-se, permanece perdido. A Fé é uma constante busca, caminhar, peregrinar; desinstalar-se é acreditar. De uma semana em que todos buscamos o rosto do Pai, muitas marcas ficarão. Porém, sublinho a frase que mais foi dita, repetida e ruminada durante toda a semana “e Jesus que faria no meu lugar”. 

Dos muitos livros que Frei Ignacio escreveu destaco dois que me marcaram particularmente. Em O pobre de Nazaré “o autor penetra no mistério de Jesus com infinito respeito pelas tradições evangélicas, mas, ao mesmo tempo, com a liberdade de quem «viu e ouviu», e por isso se sente autorizado a falar (2 Cor 4, 13). E o resultado é, não uma cristologia, nem mesmo uma biografia de Jesus, mas a memória viva do homem Jesus de Nazaré, que Se descobre a si mesmo como Filho bem-amado do Pai. Uma criação original, que oferece uma rica e variada informação documental, histórica e doutrinal, sem deixar de incluir elementos de ficção, estritamente apoiados nos documentos neotestamentários”. O livro Mostra-me o teu rosto é um itinerário até Deus. Apresenta pistas e etapas para a preparação necessária para o encontro íntimo com Deus através da oração. Não sendo um manual de oração com fórmulas mágicas, pode ajudar o crente na sua caminhada pessoal e comunitária até se tornarem um outro Cristo.

Nuno Monteiro (foto: Nuno Monteiro com Ignacio Larrañaga, em Fátima)

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