
Gerontologia, Gerontagogia: Animação sociocultural em idosos
Ernesto C. Martins, ed. Cáritas 2013, 347 págs. PVP: 19,00 euros
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Este livro apresenta um estudo que tem como centro o idosos, um trabalho feito através da(s) ‘Ciência(s) do Envelhecimento’ que estuda o ser humano ao longo da sua biografia de vida, nas suas diversas dimensões, desenvolvendo a transdisciplinaridade, através da inter-relação das fases etárias e das relações intergeracionais. O objetivo é divulgar os efeitos benéficos da educação nos idosos e dar a conhecer as características das áreas científicas relacionadas com a terceira idade.
Hoje, o envelhecimento da população é uma questão mundial que preocupa os governos e os organismos internacionais. É aqui que entra o papel da pedagogia social (educação social, animação sociocultural) no âmbito duma educação ao longo da vida.
A Cáritas Portuguesa através da Editorial Cáritas apresenta no próximo dia 24 de setembro, o seu novo livro que tem como título “Gerontologia & Gerontagogia – animação sociocultural em idosos”. O autor Ernesto Candeias Martins, docente do IPCB /Escola Superior de Educação, aborda “a Gerontologia/Gerontagogia na perspetiva da pedagogia social, isto é, na sua dimensão educativa e de animação sociocultural”.
A preocupação social e educativa nos últimos tempos pelos idosos tem vindo a aumentar principalmente ao nível da intervenção e projectos de implementação, tal como tem acontecido nos E.U.A., Canadá e por essa europa fora. No nosso país tem vindo a acentuar-se as investigações, serviços, apoios e atenção especial às pessoas da terceira idade e/ou idosos, para além das dimensões médico-sanitárias e assistenciais prestadas pelos serviços e instituições do Estado. As transformações na sociedade do conhecimento implica que, a educação e a cultura, sejam uns excelentes meios para favorecerem a satisfação e a qualidade de vida dos idosos nos diversos equipamentos ao seu dispor. No dizer do professor da Escola Superior de Educação a atenção aos idosos numa perspectiva educativa/pedagógica fez-se tardia, destacando a importância da pedagogia social, através da sua vertente prática, a educação social, como um objeto de estudo e exploração, de diagnóstico e planificação de projectos de intervenção gerontológica e intergeracionais, orientados a satisfazer a identificação das necessidades prévias dos idosos, ao nível do aprender a aprender ao longo da vida: “As pessoas idosas são a memória viva de uma comunidade. São sábios e mestres da vida”. As experiências dos nossos idosos devem ser aproveitadas e incluídas numa educação intergeracional no contexto comunitário: “A ‘Ciência (s) do Envelhecimento’ estuda o ser humano ao longo da sua biografia de vida, nas suas diversas dimensões, desenvolvendo a transdisciplinaridade, através da inter-relação das fases etárias e das relações intergeracionais”.
O autor reflete as causas, o processo e as consequências do envelhecimento e da velhice, destacando o papel do educador social e/ou animador sociocultural na intervenção com os idosos, de modo a contribuir para a sua qualidade de vida. Ostenta como desafio ajudar os idosos a conservarem um melhor nível de autonomia e participação, alertando para a necessidade de mais recursos e serviços. Por isso, o livro propõe-se ser um desafio na orientação daqueles profissionais, responsáveis institucionais e pessoas voluntárias que ajudam e apoiam os nossos idosos por esse país fora a conservarem um melhor o seu nível de autonomia, alegria e qualidade de vida, proporcionando-lhes mais recursos médico-assistenciais, sociais e socioculturais (animação), etc. Que mais pode dizer um gerontagogo, um animador e/ou pedagogo social ao abordar uma temática tão subtil e atual, como o envelhecimento, a velhice, a educação e animação nos idosos, quando também nós para lá caminhamos. Quando uma sociedade não preza, nem cuida dos seus idosos, nega a sua própria identidade e, por isso, adolesce. Só nos resta dar-lhes uma palavra de carinho, compreensão e amor.
A Comissão Europeia propôs que este ano fosse o ‘Ano Europeu dos Cidadãos’, após termos comemorado, entre outras celebrações, o ‘Ano Internacional das Pessoas Maiores’ (1999 pela ONU) e, em 2012, o ‘Ano Internacional do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações’. A cidadania (sénior) e os seus respetivos direitos constituem os principais ativos de união duma Europa envelhecida, visando facilitar aos seus cidadãos o pleno exercício do direito de livre circulação e residência, aumentando a sensibilidade para o benefício desses direitos e políticas, promovendo a sua participação ativa e o reforço da coesão e compreensão mútua. Aquelas efemérides apelam ao cumprimento de políticas e direitos para todos os cidadãos, independentemente da idade, apesar desta ser uma das caraterísticas pelas quais fixamos a posição das pessoas na sociedade, tal como o género e estado civil.
De fato, a população idosa constitui um problema demográfico que preocupa os governos e os organismos internacionais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a esperança de vida a nível mundial, em 2000, de 66 anos e passará para 73 anos, em 2025. Também em Portugal, os idosos aumentaram, de tal maneira, que ronda a cifra de 20% da população total (2.023.000 idosos), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2011, em comparação dos 15% da população jovem, num cenário de 128 idosos por cada 100 jovens, quando, em 1960, essa população idosa era de cerca de 8% (destes 33% tinham 75 ou mais anos) e, em 2000, a percentagem passou para 16,40% (em que 16% até aos 14 anos e 14, 30% entre os 15 e 24 anos) (Paúl e Fonseca, 2005: 21-41). Estima-se que entre 2020-2025 os idosos portugueses sejam 18 % da população, superando a da população jovem (16%).
Outro dado importante é a existência na União Europeia de 70% de pessoas incapacitadas com idade superior aos 60 anos de idade, padecendo doenças cardíacas e crónicas, artrites, diminuição das faculdades físicas, auditivas e visuais, perda de mobilidade, etc., constituindo um fator preocupante para a sociedade e para as forças políticas e sociais (encargos).
A ONU garante que a população idosa possa envelhecer com segurança, satisfação e dignidade, considerando-a como cidadãos ativos de plenos direitos. Sabemos que o envelhecimento demográfico está associado á população retirada da vida ativa, com as perdas respetivas para a sociedade e o enfraquecimento do seu dinamismo, devido a certa aversão dos velhos á modernização. Daí que a questão que hoje se coloca se refira ao próprio significado dos termos ‘idoso’, ‘pessoa maior idosa’, ‘velho’, ‘terceira idade’ e ‘quarta idade’ ou de ‘ancião’. Muitas destas definições estão ultrapassadas. Sabemos que a velhice atual não é um problema social é, antes de mais, uma ‘construção social’, que favorece as relações intergeracionais, reafirmando o papel dos idosos na sociedade e valorizando os seus conhecimentos (‘sabedoria’), competências e experiências de vida.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução n.º 46/91, de 16 de dezembro em que estabelecia os ‘Direitos dos Idosos’, na base da independência, participação, assistência, autorrealização e dignidade da pessoa. A própria Constituição Portuguesa, aquando da IV Revisão Constitucional – Lei Constitucional 1/2004, de 24 de julho (Art.ºs 295 e 296) e a Lei Constitucional 1/2005, de 12 de agosto, incidem sobre esses direitos. A II Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, em abril de 2002, definiu as diretrizes orientadoras das políticas para o século XXI, relacionadas com os idosos. As propostas trouxeram uma nova ideia de ‘velhice’, construída na base do conceito de ‘envelhecimento produtivo’. Ora bem, as estratégias para colmatarem o aumento do envelhecimento demográfico, para os maiores de 60 anos de idade, se centraliza na inclusão deste grupo populacional. O seu Plano de Ação Internacional propugnava que essas pessoas maiores atuassem eficazmente na vida económica, política, social e cultural, inclusive mediante um trabalho remunerado ou voluntário. Esta mudança da imagem tradicional do idoso ou do ‘velho’, deixa de ser sinónimo de marginalização, estigmatização, exclusão ou incapacidade. Na velhice distinguimos dois processos: o envelhecimento individual ou biológico e o envelhecimento demográfico. Sabemos que a estrutura da sociedade limita os processos individuais do envelhecimento, ao mesmo tempo que este exerce uma pressão na transformação no status dessas pessoas e nas suas oportunidades de participação. É neste sentido que a velhice assume uma nova dimensão, onde a ‘velhice subjetiva’, caracterizada pela velhice de algumas pessoas, é obscurecida pela ‘velhice objetiva’, como fenómeno estrutural e natural de cada sociedade ou cultura (Haddad, 1989).
Portanto, o aumento nas últimas décadas do processo de envelhecimento demográfico, levou a ONU a considerar a ‘Era do Envelhecimento’, no período entre 1975-2025, propondo aos países membros, principalmente os mais desenvolvidos, que tomem medidas e políticas que se repercutem nas diferentes âmbitos da estrutura social, económica, política, cultural e educativa da sociedade, uma vez que as pessoas maiores ou idosos, tal como os outros segmentos etários, possuem demandas especiais para terem umas condições de vida adequadas. Essas exigências fizeram do ‘idoso’, da ‘velhice’ e do ‘envelhecimento’ temas privilegiados de investigação, nas diversas áreas científicas, aumentando a respetiva produção de saberes e, ainda nas metodologias de intervenção.
Ernesto Candeias Martins, é licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, licenciado em Pedagogia / Ciências da Educação pela Universidade Pontificia de Salamanca (Universidade de Lisboa), Mestre em Educação pela Universidade Católica (Faculdade de Ciências Humanas) e doutor em Ciências da Educação pela Universitat de Illes Balears (Facultat d’ Educació) de Palma de Mallorca (Espanha). É docente na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco, desde 1987, onde coordena cursos de licenciatura e Mestrados. É membro de várias associações, sociedades e entidades nacionais e internacionais de âmbito pedagógico/educativo. Foi várias vezes bolseiro pela FCT/FCG e participou em vários projetos de investigação institucionais. As suas linhas de investigação inserem-se na história da educação, história da educação social, teoria e filosofia da educação, pedagogia social e formação de professores.
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