
O Dharma e o Espírito:
Diálogos entre um Cristão e um Budista
Juan Masiá, Kotaro Suzuki (trad. Anselmo Borges), Angelus Novus 2009, 164 págs. PVP: 15,00 euros
J. Masiá é um jesuita espanhol radicado no Japão, onde é professor de bioética e membro da comissão Justiça e Paz da conferência episcopal japonesa, estando envolvido no diálogo inter-religioso. K. Suzuki, formado em filosofia, é lider da comunidade budista de Nerima, Tóquio. De resto, o livro é um diálogo entre os dois. Transcrevo o prefácio à edição portuguesa que Juan Masiá escreveu:
«A tradução portuguesa destes diálogos cristiano-budistas, que agradeço ao meu bom amigo Anselmo Borges, nasce num contexto de diálogo intercultural, que tem muito em comum com o que originou o intercâmbio de vivências e pensamentos entre a espiritualidade budista do doutor Kotaró Suzuki e a minha espiritualidade cristã. Quando, em Tóquio, partilhámos as nossas respectivas crenças e o modo de exprimi-las, a nossa preocupação comum era ir além da mera multiculturalidade ou justaposição mútua das culturas em diálogo (…)
Este pluralismo interactivo é precisamente a característica das conversas mantidas com Kotaró Suzuki sobre budismo e cristianismo. Na situação actual dos encontros inter-religiosos, superada na maior parte dos casos a posição extrema do exclusivismo (a rejeição de outras religiões e a pretensão do monopólio da verdade para a religião própria), tende-se também a superar a posição indecisa do chamado inclusivismo (sob a aparência de tolerância, acaba por absorver as outras religiões como ‘membros anónimos’ da sua). Nos últimos anos, passou a primeiro plano a ênfase no pluralismo religioso.
Mas o pluralismo pode entender-se de diversos modos. Um deles seria o pluralismo ‘multi-religioso’, que se limitaria a justapor as religiões, como nos saldos dos grandes armazéns, para deixar ao gosto do consumidor a decisão por umas ou outras. Outro modo de entender o pluralismo é o que insiste no prefixo ‘inter’ e não apenas no prefixo ‘multi’, isto é, que os encontros inter-religiosos levem a uma transformação mútua das identidades participantes.
Foi este o tom que animou estes diálogos. Partilho com Kotaró Suzuki da convicção de que o futuro do diálogo inter-religioso vai na linha do pluralismo interactivo, como partilho com Anselmo Borges da filosofia da cultura que coloca as identidades na meta, não no ponto de partida, de um caminho interactivo, no qual passamos do ‘multi’ ao ‘inter’, sem que nenhuma das partes tenha o monopólio do ponto de chegada. A meta é um mistério, mas os seus nomes são variados. O ponto de chegada é uma convergência de caminhos, mas chega-se lá através de múltiplas peregrinações. A realidade última é una, mas as aparências são várias. De uma luz única surgem reflexos múltiplos. Há diferentes epifanias de uma única vida.»
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