Fundamentos

V Domingo do Tempo Pascal: a Videira

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.» (João 15,1-8)

O Domingo passado, com o texto do Bom/Belo Pastor, foi contexto – e ainda bem! – de oração pelos ministérios que, na Igreja, são de liderança, de condução, de ensino, de presidência, ainda que não seja segundo os modelos do mundo (Mc 10,42) – e ainda bem! E se aproveitássemos, agora, este Evangelho da Videira para orar por todos os ministérios, por todos os discípulos, por todo o Povo de Deus? Um Povo chamado a partilhar, todo Ele, da Vida do seu Mestre, a dar frutos de Seguimento, a manifestar a Glória, isto é, o Amor super-abundante de Deus, a sua Graça, o seu Perdão (Rom 5,15). Um Povo de discípulos ao qual todos pertencemos, incluíndo os pastores, como num Corpo (Lg 32). Um Povo que, no seio da Humanidade, é chamado a dar os frutos, os gestos, as palavras, os sinais, de uma só Pessoa – Jesus de Nazaré. Assim, este Tempo Pascal poderá ser também o Tempo deste Povo, porque é neste Povo que o Ressuscitado se faz presente, hoje, na nossa história. Com um texto de Enzo Bianchi e um ícone ortodoxo do século XVI, “Jesus Cristo a Verdadeira Vinha”, um Bom Domingo e um Bom dia da Mãe!

«Esta imagem da Videira já serviu no Antigo Testamento para aludir ao Povo de Deus (por exemplo, Sal 80; Is 5,1-7; 27,2-5), e para confirmar que havia sido eleito e plantado pelo Senhor na Terra da Promessa. Não é estranho, portanto, que se considere a Deus como o dono da vinha, ao qual se está ligado mediante uma relação de amor, cuidado e dedicação. Neste sentido, é o próprio Deus quem deseja que a sua vinha seja fecunda, produza fruto abundante e, por conseguinte, vinho abundante, símbolo do amor (Cant 2,4).

Pois bem, ao coroar a Ressurreição a vida terrena de Jesus, a vinha passa a identificar-se plenamente com a sua pessoa, ou seja, com o próprio Filho de Deus; Ele é a videira verdadeira na qual todo o povo está corporalmente vivo. E, também, a identidade dos discípulos brota desta videira, mas apenas se estiverem comprometidos com a vida e o destino do seu Mestre. Eles, como sarmentos do Cristo Jesus, devem permanecer unidos à videira para receber a seiva. A sua união não é apenas condição necessária para dar fruto, é questão de vida ou de morte; de facto, o discípulo de Jesus, além de conhecer o seu ensinamento, tem a necessidade imperiosa de permanecer firmemente unido a ele mediante uma relação de amor e um compromisso radical de vida.

Jesus não é, portanto, um mero mestre espiritual a quem se escuta – parecido com muitos outos que existiram nos diferentes caminhos religiosos -, pelo contrário, para sermos seus discípulos, para sermos cristãos, há-que segui-lo unindo a própria existência à sua.» (Enzo Bianchi, “Escuchad ao Hijo Amado, en él se cumple la Escritura”, ed. Sígueme, Salamanca 2011, pág. 79)

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