Fundamentos

Ao terceiro dia…

«Ressuscitou ao terceiro dia…» é o que proclamamos, em cada domingo, no Credo. Uma leitura desta expressão e significado, por Vasco P. Magalhães e Henrique M. Pereira. Boa semana!

images

Henrique Manuel (HM): Voltando ao “… e ressuscitou ao terceiro dia”.

Vasco P. Magalhães (VM): Bem, é uma expressão já usada por alguns profetas, particularmente Sofonias, e que significa um tempo próprio para “mastigar” uma realidade interior. Um tempo mínimo para dar a volta às coisas, para as ver com outros olhos. Não têm que ser, realmente, três dias completos.

HM: Os três dias de Jonas na barriga da baleia…

VM: Mas repara que no próprio Evangelho, expressões equivalentes aparecem mais vezes: “destrui este Templo e em três dias Eu o reconstruirei” (Jo 2); “passados três dias reencontraram o menino perdido no Templo” (Lc 2).

HM: Mas é uma alusão directa à Ressurreição?

VM: É sempre! Reconstruir, reencontrar a outro nível, recomeçar, ressuscitar. Nós é que precisamos de “três dias” para nos darmos conta da novidade e superar o choque da morte ou da perda. Aliás, na Ressurreição de Cristo não passam três dias completos.

HM: De facto, se fizermos as contas, de sexta à tarde a domingo de madrugada, não são três dias.

VM: Significa que há aqui um tempo interior para se dar conta do que realmente está a acontecer, e só então as pessoas estão prontas a receber as manifestações e as aparições de Jesus. Passado algum tempo, passada aquela crise, aquele grande choque, “ao terceiro dia”, as pessoas já mais refeitas, podem começar a perceber o que estava a acontecer. Então começaram a dar-se conta que Jesus tinha aparecido a este e àquele, e tudo isso provocou uma grande alegria, porque, afinal, sempre era verdade aquilo que Ele dizia. A morte e a cruz não foram a última palavra nem a tal desgraça que parecia ser, mas havia qualquer coisa de novo que estava a surgir! E em torno desta experiência e convicção de que “Ele está vivo”, começa a organizar-se a Comunidade. E, essa sim, é que é a Comunidade de Cristo Vitorioso. A vitória de Jesus Cristo é a Comunidade constituída: é a Igreja, fruto da Ressurreição.

HM: É daqui que tudo nasce.

VM: Exactamente! Tudo nasce da convicção de que Ele, afinal, está vivo. Ele morreu de facto, mas está vivo (de outra Vida): esta é a Boa Nova, o Evangelho! É isto que é preciso dizer a toda a gente. É o essencial!

 

 

Vasco P. Magalhães, Henrique M. Pereira, «Nem quero crer: pode explicar-se a fé?». Ed. Tenacitas, Coimbra 2006 (3ª edição), pág. 67ss

 

 

Deixe um comentário

@wpshower

Feeds

Susbscribe to our awesome Blog Feed or Comments Feed