Fundamentos

Curiosidades pré-conciliares

Bom, mas parece que nem tudo era mau no período anterior ao Vaticano II:aqui fica um excerto de uma carta do então bispo do Porto D. António Ferreira Gomes à comissão preparatória do Concílio,em 1960:

bispo1

«Parece conveniente que a Igreja instituída, ordenada de cima para baixo pelo Divino Fundador, se tenha de adaptar, segundo a velha tradição, às novas circunstâncias, para que rapidamente a indicação daqueles que, por causa de serem escolhidos, são colocados ao serviço dos homens, aconteça quase de baixo para cima. A voz do povo, sem dúvida de qualquer cidadão, deve cada vez mais ser ouvida na escolha e promoção dos ministros do altar, os Bispos deverão ser avocados de uma assembleia sacerdotal, em concurso ou aclamação (quase inspiração) dos próprios sacerdotes; na designação de um Arcebispo de qualquer Província, os Bispos comprovinciais devem ser considerados de máxima importância; finalmente, na eleição do Sumo Pontífice, alguma influência de todo o orbe Católico gratificaria saudavelmente os corações dos Arcebispos e, como direi, embotaria os olhos de todos com a catolicidade e hierarquia na estrutura de toda a Igreja (…)

Como entre muitos, principalmente Protestantes, Liberais e Gregos ainda floresçam muitíssimos preconceitos sobre a Igreja, como se fosse uma mera herança do Império Romano, e sobre o poder Pontifício – não como vínculo de fé e amor para fortalecer os irmãos, mas sobretudo como uma espécie do antigo absolutismo real, – parece que para um sentido espiritual da Igreja tudo se deve colocar sobretudo em lei, em fórmulas, em palavras, em cerimónias e ritos de qualquer grau e além disso [esse antigo espírito] deve ser expurgado de toda a espécie de solenidades civis, para não dizer, de ardis (…)

Também a censura e a proibição de livros, no modo e na prática, nas condições actuais, não parece prestar atenção suficiente à liberdade e à consciência, por vezes exagerada e morbidamente formada, para que numa forma de Igreja se mostre mais a opor-se a vários maiorais do que, em concreto, a ser útil às pessoas. Esta orientação daria talvez resposta à condição duma sociedade em que nada se produzia sem um múltiplo privilégio para o público, que se afaste menos do diâmtro da nossa oposição e mais do conceito de república cristã. A favor duma maior eficácia positiva e para evitar incómodos, a tarefa de descobrir a fé e de preservar os costumes deve ser colcoada mais na definição e declaração dos erros contido do que na mera proibição de livros (…) O “Index” dos livros proibidos nem parece eficaz, útil, actual, completo, nem conforme com o espírito do tempo; deve-se agir de outro modo.»

D. António Ferreira Gomes, «Ser Bispo Conciliar no Exílio (1959-1969)». Fundação SPES, Porto 2007, pág. 25

 

 

 

 

Os comentários estão fechados.

@wpshower

Feeds

Susbscribe to our awesome Blog Feed or Comments Feed