No tempo de Natal, a(s) experiência(s) de uma Família. O Evangelho deste Domingo, com o comentário de José A. Pagola. A imagem é de Luisa Alvim. Bom Domingo!
«Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura.
Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse.
Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.»
Lucas 2, 41-52
Entre os católicos defende-se quase instintivamente o valor da família, mas nem sempre paramos para refletir no conteúdo concreto de um projeto familiar, entendido e vivido a partir do Evangelho. Como seria uma família inspirada em Jesus?
A família, segundo Elel, tem a sua origem no mistério do Criador que atrai a mulher e o homem a serem “uma só carne”, partilhando a sua vida numa entrega mutua, animada por um amor livre e gratuito. Isto é o primeiro e decisivo. Esta experiência amorosa dos pais pode engendrar uma família sã. Seguindo a chamada profunda do seu amor, os pais convertem-se em fonte de vida nova. É a sua tarefa mais apaixonante. A que pode dar uma profundeza e um horizonte novo ao seu amor. A que pode consolidar para sempre a sua obra criadora no mundo.
Os filhos são uma prenda e uma responsabilidade. Um desafio difícil e uma satisfação incomparável. A atuação de Jesus, defendendo sempre os pequenos e abraçando e abençoando as crianças, sugerindo a atitude básica: cuidar a vida frágil de quem começa o seu percurso neste mundo. Ninguém lhes poderá oferecer nada melhor. Uma família cristã procura viver uma experiência original no meio da sociedade atual, indiferente e agnóstica: construir o seu lar a partir de Jesus. “Onde dois ou três se reúnem em meu nome, aí estou Eu no meio deles”. É Jesus quem alenta, sustem e orienta a vida sã da família.
O lar converte-se então num espaço privilegiado para viver as experiências mais básicas da fé cristã: a confiança num Deus Bom, amigo do ser humano; a atração por um estilo de vida de Jesus; a descoberta do projeto de Deus, de construir um mundo mais digno, justo e amável para todos. A leitura do Evangelho em família é, para tudo isto, uma experiência decisiva. Num lar onde se vive Jesus com fé simples, mas com grande paixão, cresce uma família sempre acolhedora, sensível ao sofrimento dos mais necessitados, onde se aprende a partilhar e a comprometer-se por um mundo mais humano. Uma família que não se encerra só nos seus interesses mas que vive aberta à família humana.
Muitos pais vivem hoje mergulhados por diferentes problemas, e demasiado sós para enfrentar-se com a sua tarefa. Não poderiam receber uma ajuda mais concreta e eficaz a partir das comunidades cristãs? A muitos pais crentes fazia-lhes muito bem encontrar-se, partilhar as suas inquietudes e apoiar-se mutuamente. Não é evangélico exigir-lhes tarefas heroicas e desinteressar-nos depois das suas lutas e esforços.
José António Pagola – www.feadulta.com
«Não se pode perder a Jesus», por António Couto: www.mesadepalavras.wordpress.com
Susbscribe to our awesome Blog Feed or Comments Feed