« Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»
Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.» (João, 20,19-31)
Continuamos a celebração da Páscoa, porque as grandes festas não se podem esgotar num dia. Para hoje, a acompanhar esta belíssima catequese de João, um parágrafo de Enzo Bianchi, «Escuchad al Hijo Amado, en él se cumple la Escritura – Ciclo B», Salamanca 2011, pág. 70. Na imagem, Incredulità di san Tommaso, Caravaggio, séx. XVII. Bom fim-de-semana!
«Tomé não pode ser considerado nem o protótipo do discípulo indigno, nem o exemplo do incrédulo obstinado contra quem dirigimos o dedo acusador – como o fizeram e continuam todavia a fazer alguns pregadores; antes, é aquele que sintetiza e encarna o fatigoso caminho pelo qual os discípulos chegaram à fé pascal. Esta fé não é fruto de uma exaltação religiosa ou psicológica ingénuas, senão uma vitória de Jesus Ressuscitado sobre as dúvidas que paralizam aos seus discípulos e amigos. Por outras palavras, o Evangelho de hoje assinala-nos um itinerário para chegar a crer, aqui e agora, n’Aquele que vem e permanece entre nós, oferecendo-nos a sua paz e dando-nos o seu Espírito Santo; e isto, muito especialmente, quando estamos reunidos como Igreja, na assembleia litúrgica, máxima epifania da comunidade cristã».
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