Fundamentos

«Durante os sete ou oito dias…»

Chegou à Fundamentos e, como ainda não conhecia, comecei a folhear. Fascinou-me o prólogo da obra, na qual Agostinho explica o porquê deste comentário.Partilho esse prólogo,numa tentativa de tradução do castelhano.

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«Todos vós vos recordais como é costume entre nós fazer uma leitura contínua e comentada do Evangelho de João. Mas somos agora interrompidos pelas solenidades da Páscoa, durante as quais é costume ler-se na Igreja textos específicos do Evangelho, os mesmos todos os anos, que não podem ser substituídos por outros. Deixaremos de lado, pois, por algum tempo o que tínhamos estabelecido, mas não o abandonaremos.

Por isso me interroguei sobre que parte da sagrada Escritura, de acordo com a alegria destes dias, vos poderia explicar integralmente, se Deus quiser, durante os sete ou oito dias da Semana de Páscoa. E ocorreu-me que poderia ser a Primeira Carta de S. João.

Assim, pois, ainda que não disponhamos do Evangelho, a quem abandonamos por algum tempo, o comentário desta Carta permite-nos que não nos afastemos dele. Mas a razão principal de escolher esta obra – tão doce para quem puder saborear no seu coração o pão divino e tão digna de memória na Igreja de Deus – é porque constitui um elogio da Caridade. Nela João fala muito – na verdade, fala quase sempre – do amor.

Aquele que tem ouvidos para ouvir não poderá senão alegrar-se do que ouve! Para ele, este comentário será como o azeite para a chama: dar-lhe-á força, fará crescer e durar. Para outros, pelo contrário, será como a chama para a lenha: se estão apagados, o contacto com estas palavras os fará acender-se. Para alguns alimentará uma chama que já existe, para outros criará uma chama que ainda não existe, de modo que todos encontraremos a nossa alegria num mesmo amor. Pois bem, onde há amor há paz, e onde há humildade há amor.

E agora deixemos que esta Palavra nos fale, Palavra que eu comentarei segundo aquilo que o Senhor me sugerirá para que vós possais compreender.»

Agostinho de Hipona, ‘Comentario a la Primera Carta de San Juan’, Salamanca 2002

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