Bento XVI proclamou para a Igreja um Ano da Fé, iniciado a 11 de Outubro, para celebrar também os 50 anos do Concílio Vaticano II. Para os amigos, a Fundamentos apresenta uma sugestão de leitura…
. Trata-se, não de um livro, mas de 27 livros! Mas não se assuste: todos juntos, a sua grossura não chega a metade de um romance do José Rodrigues dos Santos. Estes livros costumam, até, estar juntos, sob a designação de «Novo Testamento».
Foi uma designação que a tradição cristã, desde os primeiros séculos, atribuiu a um conjunto de escritos que circulavam pelas comunidades cristãs: alguns livros dedicados à Vida de Jesus como o Presente nas/para as comunidades, a quem o seu primeiro autor, Marcos, designou como «Evangelhos»; algumas cartas de um Apóstolo dedicado no primeiro século a anunciar a Boa-Nova de Jesus no Mediterrâneo Oriental, chamado Paulo; um livro dedicado a narrar, não num sentido jornalistico mas como narrativa de sentido, o nascimento da Igreja: os «Actos dos Apóstolos», por Lucas; outras cartas escritas por discípulos de Apóstolos significativos, como Pedro, João, Tiago ou Judas; e dois textos, mais densos, um escrito a judeus bem formados que queriam perceber o significado de Jesus à luz da história hebraica – a «Carta aos Hebreus» -, e um escrito de um tempo difícil, de perseguição aos cristãos, e por isso formado por uma forte linguagem simbólica – o «Apocalipse», que significa «Revelação».
. Certamente já ouviu falar muito destes livros e já os teve por diversas vezes nas mãos; mas quando foi a última vez que pegou num deles e o leu, com calma? Com calma significa: sem nenhuma finalidade específica, como preparar um encontro de catequese ou uma Eucaristia, sem querer retirar receitas morais, ou sem ser por obrigação. Ler, por ler. Apenas para deixar-se descobrir por alguma novidade. Ler um livro…
. Dir-me-á: não tenho conhecimentos para ler sozinh@ o Novo Testamento. Bom, é verdade que se trata de um conjunto de textos com quase dois mil anos, o que faz com que a sua linguagem, contexto cultural, significados, sejam muito diferentes em relação a hoje. Certamente que na sua comunidade/paróquias terá a possibilidade de ter encontros destinados a aprofundar os conhecimentos sobre estes livros; se não tiver, peça-os! Se não for mesmo possível, bom, dedique algum tempo – não precisa de ser muito – a percorrer alguns comentários na internet, ou outros livros nascidos para ajudar a compreender estes textos. Sempre com muita calma!
. Mas não esteja à espera de estar preparad@ para ler o Novo Testamento! De verdade, não existe ninguém que esteja «preparado», no sentido que não precise de estar, com calma, a pensar bem sobre um texto – mesmo os mais «preparados». E, se há de factos passagens que exigem alguma introdução (o livro do Apocalipse é o melhor exemplo), outros textos existem que recusam, por si, qualquer «explicação». Quer um exemplo? «Não julgueis para não serdes julgados»…, etc.
. Quer dizer: é verdade que já se passaram dois mil anos, e muita coisa mudou; é verdade que ler uma página do Evangelho é diferente de estar, há dois mil anos, a escutar um galileu chamado Jesus. Mas não é também verdade que os galileus de há dois mil anos não estavam igualmente preparados! Verdade, verdade, muita da linguagem que encontramos nos Evangelhos soa-nos àquela simplicidade original com que Jesus falava.
. Outros textos são, pela sua beleza, aptos a ser lidos sem ser necessário procurar »simbolos», «explicações», «ensinamentos»: por exemplo, a Narrativa de Lc 15, 11-32, mais conhecida pela parábola do «Filho Pródigo»: leia com calma, como quem aprecia um quadro, e repare em pormenores incríveis: por exemplo, no silêncio do Pai, quer quando o Filho lhe pede os bens, quer quando o Filho lhe pede desculpa – será comum um pai fazer silêncio numa situação deste gênero?
. Em relação á falta de tempo? Bom, isso já não posso dizer nada. Se tiver algum serviço na sua comunidade/paróquia, imagine que é um serviço extra, como se tivesse de preparar uma catequese ou ensaiar um coro – mas agora só para si, a nível pessoal.
. Para este Ano da Fé, certamente que terá encontros comunitários de leitura/apresentação dos Documentos do Vaticano II e da Carta de Bento XVI – se não os tiver, peça-os! Haverá também outras boas propostas ao longo de um ano significativo. Da nossa parte, não deixaremos de apresentar e sugerir boas leituras. Mas a grande Sugestão de Leitura, (no seu tempo pessoal, sem obrigações ou actividades, por puro prazer!) que a Fundamentos recomenda para este Ano da Fé, aqui fica. Chama-se Novo Testamento. Bom proveito!
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