E acabo de receber alguns exemplares da primeira edição, de 1978, do livro «A Igreja no Tempo: História Breve da Igreja Católica» de Manuel Clemente (na secção dos Usados). Aqui fica um excerto:

«Este rapidíssimo apanhado de dois milénios de história cristã surge da necessidade e não da satisfação do autor. Surge da necessidade, porque são constantes os pedidos de um resumo da história da Igreja Católica, que, pela brevidade e pela clareza, sirvam os agentes da pastoral e a cultura básica do comum dos cristãos. Não nasce da satisfação do autor, porque é doloroso resumir a obra imensa do Espírito e do Povo de Deus, na sua variada riqueza.
Destas condicionantes, nasceu um trabalho que teve de ser curto, para se ler sem delongas, e que quis ser claro, na linguagem e no desenvolvimento. Cheia de limitações irremediáveis, esta Breve História da Igreja Católica não pretende ser mais do que um auxílio, para que os cristãos compreendam e amem a sua caminhada comum» (da apresentação, pelo autor).
«Já em 1823, Lamennais constatava que o liberalismo nada favorecia a massa dos pobres, considerados como máquinas de trabalho, para os quais a urgência de satisfação das necessidades elementares tornava a liberdade uma questão ociosa. Em 1834, Alban de Villeneuve-Bargemont, no seu ‘Tratado de Economia Política Cristã’, denunciava o aviltamento moral que acompanhava o progresso industrial, e apelava tanto para a caridade como para as exigências da justiça. O redactor do ‘L’avenir’ e professor de economia politica em Lovaina, Charles de Coux, insurgia-se então contra uma ordem económica injusta, que cada vez concentrava mais a riqueza nas mãos de um pequeno número, em detrimento de multidões indigentes.
E o próprio Ozanam, professor da Sorbonne, juntava à acção caritativa, que tão resolutamente promovia, a doutrinação social, criticando abertamente o liberalismo económico, como doutrina ignominiosa, redutora de toda a vida aos cálculos do interesse. Para Ozanam, os males do liberalismo haveriam de se atacar, não apenas com a boa vontade da assistência, mas com a justiça e a regularização do mercado de mão-de-obra, com as associações de trabalhadores e o controlo estadual.
Em 1848 o bispo de Mogúncia, Van Ketteler, pronunciava seis célebres sermões sobre ‘As grandes questões sociais do tempo presente’, que foram um momento decisivo da doutrinação social cristã. Aí chamava os católicos ao cumprimento do seu dever social num mundo em crise, dando-lhes directivas, depois recolhidas no seu célebre livro sobre ‘A questão operária e o cristianismo’ (1864). O seu ideal era a penetração pelo espírito cristão de todos os sectores da actividade humana. Para isso, não se contentava com pequenas reformas, mas propunha uma outra concepção da sociedade, oposta tanto ao individualismo liberal como ao que veio a ser o totalitarismo do estado burocrático moderno. Abria, assim, na doutrina e na acção, a grande via onde se estabeleceu o pensamento social cristão posterior, na procura contínua do equilíbrio entre a liberdade de criação do homem e o interesse da comunidade, sem ferir nenhum deles.» (pág. 95)
1. Uma fé para o mundo | 2. Uma fé testemunhada | 3. A Igreja do Império | 4. Uma comunidade de fé | 5. A nova Europa | 6. A Alta Idade Média | 7. O cisma do Oriente | 8. Raízes da Cristandade Medieval | 9. A Cristandade Medieval | 10. O fim da Cristandade Medieval | 11. Os Santos da Cristandade | 12. A ruptura protestante | 13. A reforma católica | 14. As Igrejas nacionais | 15. A Inquisição | 16. Missões | 17. A Igreja e o liberalismo | 18. Liberais e restauracionistas | 19. O movimento social cristão | 20. A Igreja contemporânea | 21. Uma última reflexão
Manuel Clemente, «A Igreja no Tempo: História Breve da Igreja Católica». Ed. Secretariado Diocesano do Ensino Religioso e Centro de Estudos Pastorais, Lisboa 1978, 107 págs.
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