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O que terá a ver um texto de Marcos, escrito no Mediterrâneo oriental no séc. I d.C., com um poema de Teresa de Ávila escrito em Espanha no séc. XVI? Deixemo-los ficar juntos, por agora.

Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.

Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era.

De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te buscam».

Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios. (Mc 1, 29-39).

Busca-te em Mim

Alma, buscar-te-ás em Mim,
A Mim buscar-me-ás em ti.

De tal sorte pôde amor,
alma, em Mim te retratar,
que nenhum sábio pintor
sab’ria com tal primor
tal imagem estampar.

Foste por amor criada
formosa, bela, e assim
em meu coração pintada;
se te perderes, minha amada,
alma, buscar-te-ás em Mim.

Pois Eu sei que te acharás
em meu peito retratada,
e tão ao vivo tirada
que, se te vês, folgarás
ao ver-te tão bem pintada.

E, se acaso não souberes
onde me acharás a Mim,
não vás daqui para ali.
Se não, se achar-me quiseres,
a Mim buscar-me-ás em ti.

Porque és o meu aposento,
és minha casa e morada,
e assim chamo em qualquer tempo,
se acho no teu pensamento
estar a porta fechada.

Fora de ti, não há buscar-Me,
porque para achar-me a Mim
basta somente chamar-me;
vou a ti sem demorar-me,
e a Mim buscar-me-ás em ti.

(a tradução do poema de Teresa de Ávila é de José Bento, na edição publicada em 2011 com o título «Seta de Fogo: 22 poemas» de Santa Teresa de Ávila).

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