Entre 1943 e 1945, Bonhoeffer manteve uma correspondência com a noiva, Maria von Wedemeyer, a partir da prisão. A história do noivado é contada por Ruth von-Bismark, irmã de Maria, numa introdução que traduzimos aqui.

Cartas de Amor desde la Prisión
Dietrich Bonhoeffer, Maria von Wedemeyer
«Creio que não vou passar dos trinta e sete anos’, confessou a certa altura Dietrich Bonhoeffer a um seu aluno. Mas seria exactamente aos trinta e sete anos que conheceu a mulher da sua vida. Restam-lhe ainda três anos, tempo para culminar a sua obra e, por sua vez, coroar a sua existência. Pois bem, que papel desempenha nestes anos a jovem que decidiu unir a sua vida à dele?
Em 1942, o pastor Dietrich Bonhoeffer leva já alguns anos de suspensão do exercício do seu ministério eclesiástico pelas suas actividades ecuménicas e pela sua pertença à ‘Igreja Confessante’. Ao mesmo tempo, está implicado em actividades de resistência. Oficialmente, trabalha como elemento de ligação civil do serviço de contra-espionagem, mas de facto presta apoio ao seu cunhado, Hans von Dohnanyi, que em conivência com o seu chefe directo, o coronel Oster, acaba de criar uma frente de oposição a Hitler. Através de viagens ao estrangeiro, na qualidade de agente dos serviços secretos alemães, Bonhoeffer aproveita os seus velhos contactos ecuménicos para impulsionar a conspiração.
Quando em Junho de 1942 se encontra pela primeira vez com Maria von Wedemeyer, acaba de regressar de uma viagem à Suécia na qual se colocou em contacto com o bispo de Chichester, um amigo que é para ele como um pai, para o informar detalhadamente sobre os planos que estão a ser levados a cabo na Alemanha para derrubar a Hitler. No regresso a Berlim, Bonhoeffer descobre que a Gestapo começou a suspeitar dos seus amigos que trabalham no Departamento de Canaris. De modo que ele próprio se encontra sob suspeita.
Maria von Wedemeyer encontra-se com Dietrich Bonhoeffer em casa de sua avó. Tem apenas dezoito anos e acaba de terminar o bacharelato. Para ela, Dietrich é ‘o pastor Bonhoeffer’. A avó reconhece desde o primeiro momento as qualidades de Dietrich e põe-se do seu lado nas suas propostas de reforma da Igreja, até se converter em sua amiga e quase que como uma mãe. É precisamente aí, em casa da avó de Maria, que Dietrich Bonhoeffer escreve, entre outras obras, a que naquele momento teve maior repercussão: Nachfolge (‘Seguimento’: editado em castelhano sob o título ‘El Precio de la Gracia: el Seguimiento’).
Apesar da ameaça em que vive a sua relação, Dietrich e Maria decidem iniciar uma vida em conjunto. Mas no dia 5 de Abril de 1943, Dietrich Bonhoeffer é detido e encarcerado na prisão militar de Berlim-Tegel. Maria, que se encontra em casa dos seus pais, em Pätzig, só receberá a notícia da detenção de Dietrich duas semanas depois, a 18 de Abril. É então que se inicia a troca de cartas, a correspondência agora recolhida neste livro. O casal não voltará a encontrar-se em liberdade (Bonhoeffer será executado a 9 de Abril de 1945).» (Ruth-Alice von Bismark)
ed. Trotta, Madrid 1998, 320 págs. PVP: 20,00 euros
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