Fundamentos

Daniel Faria, Poesia

«Como reporás a terra arrastada | Para a boca? | Foges e foges | E repousas à sombra da velocidade. | E ao extinguires-te dizes | Tudo | O que podia ser dito | Sobre a luz.»

«Homens que são como lugares mal situados | Homens que são como casas saqueadas | Que são como sítios fora dos mapas | Como pedras fora do chão | Como crianças órfãs | Homens sem fuso horário | Homens agitados sem bússola onde repousem  |  Homens que são como fronteiras invadidas | Que são como caminhos barricados | Homens que querem passar pelos atalhos sufocados | Homens sulfatados por todos os destinos | Desempregados das suas vidas  |  Homens que são como a negação das estratégias | Que são como os esconderijos dos contrabandistas | Homens encarcerados abrindo-se com facas  |  Homens que são como danos irreparáveis | Homens que são sobreviventes vivos | Homens que são como sítios desviados | Do lugar»

Não me compete a mim comentar ou até tentar ‘explicar’, pois essa será precisamente a beleza da poesia – não se impõe com um discurso fechado e completo. Talvez por isso, seja uma linguagem mais próxima até da linguagem bíblica – e ainda bem. Espero um dia conseguir ‘adentrar-me’ nestas linguagens e experiências – tanto a poética como a bíblica. Da leitura de Daniel Faria ficam-me, neste momento, estes dois poemas.

Da Assírio&Alvim recebi estas informações:«O presente volume reúne toda a poesia de Daniel Faria e dá a conhecer ao público, pela primeira vez, treze poemas inéditos. A edição é de Vera Vouga, professora do poeta que acompanhou os seus primeiros passos literários. Este livro integra o Plano Nacional de Leitura: Ensino Secundário — sugestões para leitura autónoma.» «Daniel Faria nasceu em Baltar, Paredes, em 1971. Frequentou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, obtendo a licenciatura em 1996. O gosto pela poesia e pela expressão poética levou-o a obter uma segunda licenciatura, em Estudos Portugueses, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Faleceu em 1999, com apenas 33 anos, quando estava prestes a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga. Deixou-nos, apesar do seu desaparecimento prematuro, um notável legado poético.» «A manhã move a pedra sem raiz | O seu repouso de árvore em flor. | Qualquer astro é menos que o repouso | De uma pedra em flor.» (poema inédito)

(Daniel Faria, «Poesia», ed. Assírio&Alvim, Lisboa 2012)

Para quem desejar conhecer um pouco de Daniel Faria e da sua obra, tem estes dois contributos do Secretariado de Pastoral da Cultura:

http://www.snpcultura.org/impressao_digital_daniel_faria_2.html

http://www.snpcultura.org/id_uma_semana_com_daniel_faria.html

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