Fundamentos

Depois da Assírio, da Bizâncio, da Chiado… livros cariocas

Algumas das publicações da Editora Vozes recebidas na Fundamentos (confesso: a dada altura era insuportável para mim ler publicações e traduções em português do Brasil – preferia as traduções em castelhano; mas parece-me que, mais recentemente, têm melhorado, quem sabe pelo novo acordo ortográfico que eu espero, um dia, conseguir adoptar):

Frei Betto, Leonardo Boff, «Mística & Espiritualidade», Petrópolis 2010, 275 págs. PVP: 20,00 euros

Da introdução pelos autores: «Sempre que uma cultura entra em crise ocorre uma volta vigorosa do religioso e do místico. É que o re-ligioso trabalha a experiência profunda de um sentido novo que re-liga as coisas que estão separadas e que precisamente provocam a crise da cultura. Esse sentido novo re-liga a consciência pessoal com sua profundidade, re-liga o eu com os outros, re-liga o presente com o passado e com a promessa do futuro, re-liga o mundo com Deus. As religiões surgem como instâncias que se propõem a manter e a alimentar esse processo de re-ligação. Por isso as religiões são religiões. A crise é sempre também crise do horizonte utópico, daquela confiança básica na vida e na história sem a qual ninguém vive e nenhuma sociedade pode subsistir. Ora, o místico trabalha com essa confiança radical, mas vivida e experienciada, num nível prévio a qualquer elaboração conceitual e que origina todas as elaborações, sempre desbordando de todas elas. O místico traduz-se por convicções poderosas que fazem mover a história, pela mola propulsora da caminhada das pessoas e das sociedades.»

Leonardo Boff, «Vida para Além da Morte. O presente: seu futuro, sua festa, sua contestação ». 25ª edição, Petrópolis 2010, 214 págs. PVP: 22,50 euros

Da introdução, pelo autor: «Podemos fazer afirmaç~es válidas sobre o futuro sem sermos profetas de 31 de Dezembro, de bom ou mau agouro? O cristianismo sustenta saber coisas bastante concretas sobre o amanhã do homem, da história e do cosmos. Talvez reside aqui o cerne da sua mensagem que é evangelho e boa-notícia para todos: vence a vida sobre a morte, triunfa o sentido sobre o absurdo, superabunda a graça onde abundou o pecado; o homem não caminha para uma catástrofe biológica, chamada morte, mas para uma realização plena do corpo-espírito; o mundo não amrcha para um fim dramático, dentro de uma convulsão cósmica, mas para a consecução da sua meta e global floração das sementes que nele estão germinando.»

Leonardo Boff, «O Pai-Nosso: A Oração da Libertação Integral», Petrópolis 2009, 188 págs. PVP: 17,50 euros

Do prefácio, pelo autor: «Com toda a simplicidade queremos fazer a seguinte pergunta: o que quis Jesus quando apareceu neste mundo e começou a pregar pelos caminhos da Palestina? Qual é o seu projecto fundamental? Poderíamos fazer um pequeno resumo da sua mensagem, compreensível a todos? O Pai-Nosso é exatamente a respostas a estas indagações (…) Jesus concentrou-se naquilo que é verdadeiramente essencial: Deus, nosso Pai querido, seu Reino, sua vontade. O pão necessário para a vida, as rupturas entre as pessoas que se devem perdoar reciprocamente, o risco de se perder e a libertação do mal absoluto. Dois são os movimentos: um que sobe para o Pai e o seu Reino, e o outro que desce e se abre para as realidades humanas do quotidiano como o pão nosso, a necessidade de reatar os laços rompidos e, finalmente, ter que resistir às tentações que podem levar-nos ao caminho do mal. Nessa oração está toda a grandeza e também todo o drama humano, assumidos na mensagem de Jesus.»

Gerd Theíssen, «O Novo Testamento», Petrópolis 2007, 149 págs. PVP: 14,50 euros

Pelo autor: «O que determinou positivamente a fé dos primeiros cristãos? O que criou neles aquela evidência interior, pela qual estiveram dispostos a tudo sacrificar? Os escritos cristãos primitivos caracterizaram-se por um ‘espírito’ que nós podemos reconhecer por uns poucos motivos básicos que se manifestam sempre de novo. Estes motivos não precisam de estar presentes em todos os escritos, mas são como que os ‘traços familiares’, unindo sempre subgrupos limitados. Se as religiões são linguagens de sinais, estes motivos básicos constituem a gramática desta linguagem, a regra segundo a qual os sinais são unidos e organizados. As pessoas que viveram no mundo de fé do Novo Testamento interiorizaram-nos, de tal modo que espontaneamente eles determinam o seu agir e o seu viver.» (p.138)

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