«Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas.
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»
João 10,11-18
Um Bom e Belo Pastor que, diante da multidão cansada e abatida se enche de compaixão – são como ovelhas sem pastor (Mt 9,35-38): diz-nos Mateus que a sua vida era de percorrer as cidades e aldeias, ensinar nas sinagogas, proclamar o Evangelho do Reino e curar todas as enfermidades e doenças. Cansaço e opressão, falta de esperança, ausência de horizontes… É o mesmo Jesus que dá pistas sobre este Pastor: um Pastor capaz de deixar as 99 ovelhas para procurar uma perdida, ou de deixar 1 ovelha para procurar as 99 perdidas (Lc 15,4-6). Um Pastor que tem amizade pelas suas ovelhas, que as conhece pelo nome, e que elas conhecem a sua voz (Jo 10,1-6). ..
Porquê este texto no Tempo Pascal? E porque correr rapidamente para o tema do ministério ordenado? Não será para nos ajudar a viver e compreender, talvez, que o Ressuscitado, por ser o Ressuscitado, não deixa de ser o Pastor? Muitos pensamos, e talvez até desejemos – não sei! – que a Ressurreição de Jesus seja o seu afastamento, mais, o seu alheamento, o ser alheio, indiferente, distante e ausente da nossa vida, da vida dos seus discípulos, da vida das suas comunidades. Graças a Deus que não. Graças a Deus que a sua Ressurreição seja, talvez, o ser constituído pelo Pai como Pastor, não apenas de um grupo de homens e mulheres que na Galileia do séc. I o seguiam – mas de um sem-número de homens e mulheres, comunidades que, todos os dias e quotidianamente, se dedicam a libertar tudo o que cansa e abate esta Humanidade. E, para esta missão, não deixam de faltar trabalhadores. Senhor, tu sabes…
Então, o Tempo Pascal poderá ser, também, para aprofundar e viver esta Presença do Ressuscitado como o Pastor das Comunidades, dos Discípulos, e das Multidões também; e como as Comunidades, e os Discípulos, pertencendo às Multidões, viverão a sua missão de libertar todas as forças de opressão. Um bom Domingo! (Na imagem: o Bom Pastor, Catacumbas de Priscilla, Roma: pintura do século III d. C.)
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