Fundamentos

Elisa E. López, Mediadoras de Sanación

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Mediadoras de Sanación. Encuentros entre Jesús y las Mujeres: Una Nueva Mirada

Elisa Estévez López, , Madrid 2008, 375 págs.

Receber hoje este livro provocou-me curiosidade para o folhear pela originalidade do tema investigado pela autora. Das primeiras páginas da Introdução, já nos damos conta de qual é a sua preocupação e objectivo do seu estudo: realçar o encontro libertador/curador de Jesus com mulheres presente nos textos, e descobrir como este encontro torna as próprias mulheres activas e responsáveis quer na sua própria libertação, quer como mediação de libertação para os outros. Destaco este pequeno texto, poderá também provocar a curiosidade e o interesse como o fez comigo!

«A chave fundamental no estudo sobre os relatos sinópticos de cura de mulheres foi a recuperação da função das mulheres não apenas como vítimas, senão procurando nelas qual foi a sua contribuição concreta para a recuperação da vida, e como o encontro libertador com Jesus as capacitou para serem mediação de cura. O dom recebido e acolhido plenificou o seu ser e mobilizou todas as suas energias ao serviço do Reino, prolongando nas suas vidas, nas suas obras e nas suas palavras a Salvação de Deus em Jesus Cristo.

Os Evangelhos não fizeram constar claramente o papel de mulheres encarregadas de pregar e curar, ainda que o deixaram de mulheres discípulas e crentes. Vemos aos apóstolos ensinando a Boa-Nova e realizando curas em nome de Jesus, tanto durante o ministério público de Jesus, como depois da Páscoa, mas não há referências de factos similares sobre as mulheres. A memória das origens cristãs não conservou pistas da sua participação oficial no ministério libertador de Jesus. Daí a importância de perguntar a estes textos de curas sobre a implicação activa das mulheres na missão de curar, tanto para elas próprias como para os outros.

Na memória colectiva das distintas comunidades conservou-se, mais de uma vez com tensões e dificuldades, indícios suficientes da sua função mediadora. A graça e a libertação recebidas e consentidas abriu o umbral da vulnerabilidade humana e abriu para elas o caminho de converterem-se em mediação do dom divino de cura e salvação. Quem reecbeu o dom da Salvação pode por isso mesmo oferecê-la a todos aqueles com quem se encontra. Através dos relatos vai-se descobrindo como elas se converteram em «graça oferecida a graça». O milagre que aconteceu nas suas vidas fala da misericórdia de Deus, do seu amor entranhável à Humanidade, e refere a quem o escuta e o contempla a Quem é Vida em abundância para todos.

O caminho de seguimento que começou ou se fortaleceu no encontro libertador foi para elas uma provocação a continuar, completar e comunicar os mistérios de Cristo, um convite a encarnar nas suas existências o seu amor gratuito até dar a vida, concretizando-se em verdade e serviço, em audácia e racionalidade dialogante, e na confissão crente de quem mediou para elas o Dom da Vida Divina, de Jesus Cristo. Ainda que no meio de tensões e ambiguidades, as narrações dão luz a umas mulheres crentes que consentiram que o Deus Encarnado alcançasse as suas vidas, transformando-as e vinculando-as à sua missão.

A exemplariedade feminina, não questionada nos testemunhos evangélicos, está ligada à transparência com que remetem ao Deus de Jesus, e é fecunda enquanto que significam, imediatizam e tornam inesquecivel a Cristo, confrontando a quem escuta estas histórias de vida com a realidade de Deus que foi revelada em Jesus Cristo. O seu ministério libertador, se bem que não supôs que as incorporou explicitamente entre os líderes comunitários, não foi por isso menos real nem menos efectivo. A exemplariedade das suas vidas, o dom de ir conformando progressivamente as suas existências com Cristo e a sua colaboração pessoal e livre com Ele, é um questionamento à sua exclusão nas tarefas ministeriais de pregação e cura». (pág. 23)

Elisa Estévez Lopez, doutora em teologia em Bilbão e licenciada em Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, é professora de Sagrada Escritura e História da Igreja em Comillas, Madrid. Conjuga uma formação bíblica e em ciências sociais para abordar os textos evangêlicos e as fontes históricas dos primeiros séculos de cristianismo.

 

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