Erri de Luca
ed. Quetzal | Lisboa 2007 | 94 págs. | PVP: 7,90 euros
Era feliz. Apetecia-me abraçar o meu Iosef, brotava-me no peito uma ternura por ele nunca antes experimentada. O respeito, a sujeição que nos ensinam para com a autoridade masculina diminuem os sentimentos carinhosos. Mas naquele dia a anunciação do anjo e a resposta do meu corpo tinham-me libertado. Não enrubescia, a confiança de estar com a razão conferia-me a desenvoltura necessária e uma nova compostura. Também o meu silêncio tinha mudado.
Com a ternura veio a gratidão. Ele tinha acreditado em mim. Contra todas as evidências, punha-se nas minhas mãos. Não movera no seu belo rosto um único músculo de suspeita, um franzir de sobrencelhas, um olhar oblíquo. E vira a sua Miriàm pela primeira vez, porque era a primeira vez que eu o olhava no rosto sem aixar a fronte, como nem as esposas se atrevem a fazer. Tinha acreditado em mim, sentia-me feliz e acalentada de gratidão por ele. “Faz aquilo que é justo, Iosef. Hoje sou tua mais do que antes, mais do que a promessa.»
Prelúdio | Prólogo | Primeira Estrofe | Segunda Estrofe | Terceira Estrofe | Última Estrofe | Três Cantos
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