Acabadinha de chegar a encomenda prometida da Trotta, com algumas novidades que me vão entreter nos próximos dias (e não, não fiz batota, não fiz a encomenda no domingo, foi mesmo na segunda)
Thomas Merton, «Diario de Asia», Madrid 2000, 378 págs. Da apresentação do livro, feita por S.S. Dalai Lama: «Independentemente da parte do mundo na qual vivem ou da tradição espiritual à qual pertencem, não abundam os que de verdade abraçam a vida espiritual. Como religioso praticante e particularmente na qualidade de monge, Thomas Merton foi na verdade alguém que marcou um ponto de referência. Tinha todas as qualidades que derivam do ter escutado e estudado os ensinamentos espirituais, assim como de pensar sobre eles e submergir-se neles. Além do seu grande saber e disciplina, tinha um bom coração. Não só foi capaz de levar a cabo a sua própria prática, como também possuía uma perspectiva muito ampla sobre a vida espiritual em geral. Tive o enorme prazer de manter diversos encontros com Thomas Merton em 1968 e desfrutei de muitas horas de conversação que então mantivemos. Merton transmitiu-me uma compreensão clara da tradição contemplativa cristã e para mim foi como que uma ponte entre a minha tradição e a sua.»

Thomas Merton, Ernesto Cardenal, «Correspondencia (1959-1968)», Madrid 2003, 223 págs. Da apresentação pelo próprio Ernesto Cardenal: «(A dada altura) senti uma necessidade imperiosa de ser monge trapista. Escrevi ao mosteiro de Our Lady of Gethsemani, no Kentucky, a única direcção trapista que eu conhecia. (…) Informaram-me que o meu mestre de noviços seria alguém mais ou menos poeta, que também tinha estudado como eu na Universidade de Colombia. Com isso fizeram-me saber que seria Thomas Merton (…) No princípio desconcertou-me a forma como ele partilhava comigo a direcção espiritual. Tivera eu o privilégio incrível de receber a minha instrução do grande mestre do misticismo que durante tantos anos havia admirado. E quando me tocava a mim o momento assinalado para falar com ele, ele começava a perguntar-me pela Nicarágua, Somoza, os poetas nicaraguenses, poetas de outros países da América Latina, outros ditadores. Ele falava-me de poetas amigos seus, as cartas que lhe escreviam, a sua vida anterior no mundo, a sua juventude, a sua estadia na Universidade de Colombia, e dizia piadas (…) Pouco a pouco fui compreendendo que com isto ele me estava a dar um ensinamento espiritual. Porque antes eu acreditava que tinha de renunciar a tudo para ser trapista, aos meus livros, o interesse pelo meu país, pela política da Nicarágua e América Latina, os ditadores, a Rússia, o imperalismo, etc (…) É que a minha vida é a única vida espiritual que eu poderia ter, e não outra. (…) A correspondência cessou quando ele partiu para o oriente, e mais tarde recebi um telegrama do abade de Getsemaní dizendo-me: ‘Lamentamos informá-lo da morte do nosso querido p. Louis em Bangkok.’ Foi a maior dor que eu tive na minha vida.»
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