
Jean Vanier | Editorial AO | 136 páginas
«Amo este Jesus vulnerável que me acolhe como eu sou, com as minhas vulnerabilidades, e desejo que muitas outras pessoas O possam conhecer na sua pobreza e na sua humildade, e aprendam a viver uma relação profunda com Ele».
É possível percorrer o mistério da Semana Santa através da chave da vulnerabilidade? A reflexão de Jean Vanier possui um selo de credibilidade graças à sua experiência de vida: de naturalidade canadiana, Vanier fundou 1964 a Arca, uma organização que reúne, em vida comunitária, a pessoas com fortes deficiências físicas e psíquicas juntamente com os seus curadores. Hoje a Arca é uma federação de comunidades, presente em 35 países.
Jesus Vulnerável nasceu de um conjunto de meditações propostas pelo autor no contexto de um retiro de Semana Santa. O fio fundamental que percorre estas meditações reside na contemplação do mistério de vulnerabilidade presente na raiz da vida humana. «Nascemos na vulnerabilidade e morremos também na vulnerabilidade. A história de cada um de nós vai da fragilidade à fragilidade». E continua o Autor: «é ao descobrir a nossa que podemos talvez olhar para a vulnerabilidade de Jesus».
O próprio mistério de Deus é um mistério de vulnerabilidade na medida em que é um mistério de Amor, isto é, de um dom, de uma graça que se oferece sem se impor, de um perdão que pede uma conversão. A Última Ceia, o Lava-Pés e, em grau extremo, a Cruz, são ícones deste mistério de vulnerabilidade que adquire carne, timbre, rosto e presença em Jesus; estes ícones permitem-nos «penetrar neste mistério da vulnerabilidade de Jesus que a todos nos chama a acolhermos as nossas vulnerabilidades». Assim, refere o Autor, «Todo o mistério de Jesus vulnerável, que lava os nossos pés, tem por finalidade que nos levantemos, para caminharmos para uma liberdade maior, a transformação dos nossos corações, rumo à sabedoria do amor».
E é no coração desta máxima humilhação que emerge uma fecundidade possibilitadora de abrir os túmulos da morte. «Que choque, então, quando Jesus morre! E é na morte de Jesus que a sua maior vulnerabilidade se torna também o lugar da Ressurreição». E também na sua Ressurreição Jesus não deixa de ser o Filho vulnerável, que procura o encontro com os seus discípulos, numa Palavra que se propõe, que pede uma escuta, que oferece uma Paz.
«A Ressurreição manifesta-se unicamente por meio de encontros. Não é um acontecimento extraordinário nem um facto grandioso que deita toda a gente por terra. É, antes, um acontecimento humilde que se dá no interior de uma relação, para que as pessoas possam dizer: «Eu encontrei-O e Ele está vivo!».
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