
Redescobrir a fé cristã, histórias simples para falar de Deus e de nós»
Nuno Tovar de Lemos sj
ed. Tenacitas | Coimbra 2012 (13ª edição: orig. 2004) | 182 págs. | PVP: 15,00 euros |
Há livros que, pelo amplo acolhimento que tiveram, dispensam apresentações – mas são livros que precisam sempre de, de novo, serem apresentados, propostos, referidos. Nuno Tovar de Lemos, jesuíta, oferece-nos em «O Príncipe e a Lavadeira» a – rara – possibilidade de nos aproximar do centro do Evangelho e das experiências centrais da fé cristã – a Encarnação, o mistério de Deus, de Jesus, do Ser Humano – através de histórias e aproximações (a palavra parábola vem, no grego, do verbo «aproximar» ou «atirar para junto de») numa linguagem simples e com uma beleza literária. Algumas das histórias são, até, escritas na primeira pessoa. Aqui fica, para quem ainda não conhece (há sempre alguém a fazer 18 anos e a ter de começar a fazer as suas próprias buscas) uma bela proposta de leitura: transcrevo a carta com que o autor começa o livro. Porque a Fé não é apenas catecismo, é também uma história…
«Excelentíssimo Deus,
Quando uma pessoa escreve um livro sobre outra pessoa, é costume informá-la? Bem, indo directo ao assunto, se chegar aí ao Céu um livro chamado O Príncipe e a Lavadeira é meu. E é sobre Ti. Espero que leias estas linhas antes que dele Te falem, pois queria ser eu a explicar-Te algumas coisas pessoalmente.
Não me preocupa a Tua reacção (já aceitaste em mim coisas bem mais disparatadas!). Preocupam-me, isso sim, reacções de outros aí em Cima, sobretudo de alguns mestres de teologia que aí estão e que eu muito respeito. Olhando para o livro poderão perguntar-Te porque razão – sendo ele sobre coisas sérias – o título não é mais sério… O problema é que não é só o título, o livro, por dentro, está, de facto, cheio de príncipes e lavadeiras e astrónomos no cimo das montanhas e anjos a ler o jornal enquanto outros tocam harpa e muitas outras coisas do género em históricas quase infantis. Gostava que os tentasses convencer de que – apesar das aparências – a minha intenção é falar de coisas sérias. Acredito sinceramente que se pode falar de assuntos importantes de uma maneira leve e simples. Acredito mesmo que as (poucas) coisas realmente importantes na vida são surpreendentemente simples. Se insistirem muito, diz-lhes que a minha inspiração principal são as histórias simples que Jesus contava como parábolas.
Creio que muita gente pensa, como eu pensava antigamente, que Tu e a Fé são temas extremamente complicados. Hoje penso que as nossas cabeças – essas sim – andam extremamente complicadas (por causa da importância exagerada que damos a coisas secundárias e da nossa falta de tempo para as coisas essenciais) e que, no meio de toda esta complicação, Tu és a única ponta a partir da qual o novelo se pode desemaranhar. Acho que entendo aquela frase do Evangelho que diz que temos de nos tornar como crianças. Entendo-a, não como um apelo a voltar atrás, mas sim como um convite a avançar no sentido da descomplicação e da busca do essencial. Ou, como Paul Ricoeur tão bem resumiu numa só expressão: devemos procurar uma ‘segunda ingenuidade’.
Este livro, sendo acerca de Ti, é naturalmente acerca do Amor. Isto pode ser confuso para algumas pessoas que, nas suas vidas, tenham colocado em gavetas distantes a Fé e o Amor. Aquilo que tenho aprendido contigo é que, quando fazemos este divórcio, o que depois fica nas gavetas são versões distorcidas e rebaixadas quer da Fé quer do Amor. Afinal, como disse S. João falando de Ti, “Deus é Amor”. Gostava de ter escrito um livro onde “Deus” e “Amor” fossem sinónimos ou, pelo menos, palavras que se pudessem habitualmente sentar no lugar uma da outra.
Creio – aprendi-o de Ti – que o Amor é o único bem pelo qual vale a pena dar a vida e a única lição que interessa aprender. Só cá estamos para aprender a amar. A maior dívida que tenho na Terra é para com quem me amou e se deixou amar por mim. É uma dívida infinita, que só no Céu poderei saldar. No entanto, todo este amor não tem comparação com aquele que tenho recebido de Ti e que – como nenhum outro – me tem estimulado a ser livre e a seguir o meu próprio caminho. Gostaria de saber transmitir a quem não tem fé que a verdadeira fé de um crente é a fé que Deus tem nele. E que isto chega para transfigurar a vida de uma pessoa.»
1. Excelentíssimo Deus | 2. Uma visita guiada | 3. O Peixe e o Mar (nós e Deus) | 4. A Varanda (quem é Deus?) | 5. O Astrónomo e a Brisa da Noite (a Criação) | 6. O Príncipe e a Lavadeira (a Encarnação) | 7. Noite de Estrelas (Jesus Cristo) | 8. Laboratório de Tentações (a Tentação) | 9. O Sótão (a Conversão) | 10. Aprendiz de Viajante (a Consciência Cristã) | 11. A Missão (a Igreja)
Obras de Nuno T. Lemos | Espiritualidade | Edições Tenacitas
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