Fundamentos

O Sexto Sentido

O Sexto Sentido

Laia de Ahumada, Mercè López | Edição: Fragmenta | Páginas: 40

Sentimos falta de bons livros para crianças – que se tornam sempre, ao mesmo tempo, bons livros para adultos. Preferimos ter as nossas crianças, mesmo em idade pré-escolar, absorvidas pelos rápidos e efémeros estímulos dos tablets, televisões e monitores. Estímulos de sons e imagens que saciam os sentidos, mas não os conduzem à imaginação, à narrativa, ao belo.

A Fragmenta, editora sediada em Barcelona com representação em Portugal na publicação de livros infantis, oferece-nos agora mais uma excelente proposta de leitura. Em O sexto sentido, a leitora ou leitor (pequeno ou grande) é conduzido numa pedagógica iniciação ao próprio mistério que nos habita enquanto humanos. O sexto sentido é um convite a mergulhar na atenção e na escuta dos próprios sentidos – olhar, tato, paladar, escuta e olfato – como meios de abertura à realidade; e bem que necessitamos desta aprendizagem, numa sociedade habituada a transformar e atuar sobre a realidade, ao invés de acolher as suas riquezas pluriformes.

A criança (e o adulto) é convidada a acolher o que a natureza, os acontecimentos e as pessoas (os amigos, a família) lhe oferecem, a dar-se conta de que a realidade ultrapassa em muito a sua pequena visão, projetos e expectativas. Aprenderá assim, paradoxalmente, a ser criança, isto é, recetividade, confiança e abertura, deixando as manias das defesas, desconfianças e fronteiras para o mundo dos adultos. «Tens de nascer de novo», dizia já o Mestre de Nazaré.

Deste modo, a pedagogia dos sentidos conduz à descoberta dos sentidos interiores, que povoam os nossos dias sem deles nos darmos conta: a intuição, o reconhecer os desejos e anseios daqueles que nos são queridos, ou a capacidade de estar só em silêncio – uma arte que nos coloca na senda do Divino.

«Para além dos cinco sentidos, devo ter outro que não se vê nem se sente, não tem cheiro nem sabor e que também não se pode tocar: o sexto sentido! É aquele que me faz ver o que não se vê à primeira vista. É aquele que me ajuda a sentir com todo o corpo o que tem lugar dentro de mim».

Ver mais: Pequena Fragmenta

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