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Prolongamento

Prolongamento

Autor: Michael Paul Gallagher, s.j. | Edição: Apostolado da Oração | Páginas: 184

 

“Foi Deus que me enviou este cancro? Não. Quererá Deus que eu enfrente este cancro? Sim. Deus está comigo, a prometer acompanhar-me através da escuridão? Sim”. O testemunho, de quem enfrenta o cancro pela terceira vez, é de Michael Paul Gallagher, jesuíta irlandês e professor de literatura e teologia, que viveu entre 1939 e 2015.

Gallagher escreve com o intuito de que as suas reflexões possam ajudar outras pessoas. Através de quatro capítulos – nos quais se inclui um diário do período de doença – o livro aborda a crença e a descrença – assentes na liberdade, na cultura e na imaginação – a vida e a morte, a fé e a sua comunicação e ainda sete poemas que o autor escreveu durante o seu último ano de vida. Diz-nos Gallagher: “A espiritualidade vem antes da teologia: se a fé não for uma experiência de encontro, teremos pouco sobre o que refletir, exceto as palavras dos outros. E elas soarão superficiais se não forem tocadas por um fogo pessoal”.

Trata-se de uma narrativa profundamente pessoal e iluminante, em que o autor não se coíbe de escrever sobre a dimensão física, psicológica, espiritual de forma lúcida e concreta. “Tenho uma doença possivelmente fatal. Ponto final. E quero viver isto profundamente e de forma a que valha a pena”. Estão presentes os dias com dores e as névoas provocadas pela quimioterapia, os encontros com os seus amigos e companheiros de comunidade, a contemplação de dias mais sossegados, a consciência de que a morte está próxima, o medo e a fé.

Sobre o medo o autor diz-nos: “o medo das pequenas coisas é inevitável. Um dos medos que me assalta tem a ver com a fé: não me sinto com forças suficientes para passar por uma “noite da fé”, como Santa Teresinha. Mas tenho a certeza de que terei instantes desta irrealidade de Deus”. Sobre a fé, que diz ser sempre uma “mistura de presença e de ausência”, Gallagher deixa-nos a certeza de que “pode ser árida e ter tão pouca luz. Apenas algo em suspenso, fatigado”.

Adelaide Miranda

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