Fundamentos

Quem disse que não há nada de interessante?

Embora não possuam todas as respostas nem encerrem todas as questões, por sorte temos livros que, além de serem de leitura simples e agradável, nos podem ajudar a aprofundar um pouco mais sobre algumas experiências. Porque essas experiências, como é o caso da oração, para a maior parte das pessoas não “caem do céu” e embora não seja pelos livros que somos nelas introduzidos, estes podem ser uma ajuda interessante.

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Xabier Pikaza, «Para Viver a Oração Cristã», ed. Gráfica de Coimbra, Coimbra 2005, 403 págs. PVP: 16,90 euros

Refere o autor na Introdução: «Os temas deste livro podem ser considerados, no seu conjunto, como momentos sucessivos da mesma busca cristã. Em primeiro lugar, refiro os espaços onde a oração pode ser feita: natureza, interioridade, comunhão, história. Abordo, depois, a sua identidade cristã: abertura messiânica de Maria, vida de Jesus, oração do Pai-nosso, celebração eucarística e confissão trinitária. Seguidamente, aponto os caminhos, de acordo com uma certa metodologia: oração vocal, liturgia, meditação e contemplação. Finalmente, procuro analisar o homem como ser orante, entregue à petição e ao louvor, ao trabalho e a compromisso redentor.»

Como uma das experiências humanas mais fundamentais e complexas, abordá-la através de um livro não a esgota e tem graus diferentes de importância para cada pessoa e cada crente, segundo a sua própria experiência. Confesso que, no meu caso, uma leitura deste género ajuda-me a encontrar um pouco mais de sentido para uma experiência que é tudo menos evidente. O que não significa que, após ter terminado de ler o livro, o meu caminho de procura este encerrado! Refere o autor, num outro excerto:

«São quatro, no meu entender, as direcções da vida e quatro, consequentemente, os lugares onde se expande e pratica a oração, entendida como palavra primigénia pela qual as pessoas se dizem a si mesmas, pronunciando o nome do mistério. A primeira direcção e lugar de oração é o mundo: as pessoas vivem abertas às coisas e nesse mesmo movimento de abertura, descobrem-se orientadas para um nível mais profundo de verdade e de mistério; começam então a orar vendo o sol, a terra e os diversos elementos como sinais de Deus, que se revela e nos fala por seu intermédio.

A segunda direcção aponta para um lugar de interioridade: somos pessoas que, estando no meio das coisas, podemos dar largas a um movimento reflexivo que nos conduz às profundidades da própria realidade humana. Desse modo, ao encontrarmo-nos a nós mesmos, deparamo-nos com um mistério que nos fundamenta e ultrapassa: ao exprimir-se, o próprio Deus nos entrega a Sua Palavra como palavra radical da nossa vida interior.

A terceira direcção leva-nos ao encontro do próximo: o caminho verdadeiro só em conjunto se percorre; por isso, somos caminhantes que dialogam fazendo comunhão de vida interpessoal; e essa comunhão de amor gratuito é uma revelação de Deus, um sinal do mistério, em Jesus Cristo. Finalmente, há um caminho que nos leva à história e no qual confluem todos os aspectos anteriores. Logicamente, Deus pode revelar-se nela como um princípio de amor-vida que nos torna capazes de assumir e de percorrer o nosso caminho com uma atitude de graça e de abertura ao reino.

Oramos, pois, no mundo, no íntimo da nossa realidade humana, em comunhão com os irmãos, no seio da história. São estes, no meu entender, os quatro principais lugares daquilo que poderia designar por mapa sagrado da oração (…) No seu conjunto, constituem o vasto campo da oração que pode ser resumida da seguinte forma: orar é ver o mundo com olhos de fé agradecida que descobre Deus por meio das coisas; orar é conhecer-me a mim mesmo, ver por dentro o que sou e descobrir-me alicerçado no mistério; orar é dialogar com os irmãos com uma atitude de respeito, amor e transparência; finalmente, orar é descobrir a história dos homens como campo onde Deus nos chama a proclamar e a implantar o seu Reino».

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