Ganhei alguma curiosidade de conhecer o que estes senhores dizem; a Relógio d’Água fez o favor de me permitir conhecê-los:
VV.AA., «A Religião: Seminário de Capri dirigido por J. Derrida e G. Vattimo, com as participações de M. Ferraris, Hans-Georg Gadamer, A. Gargani, E. Trías e V. Vitiello», Lisboa 1997, 250 págs. PVP: 14,90 euros«Os tempos mudaram decerto desde a época em que Hegel escrevia que o sentimento fundamental da sua época se exprimia na sentença ‘Deus morreu’. Mas o ‘nosso’ tempo (que, como o de Hegel, começa com o nascimento de Cristo) será na realidade tão diferente? E esse fenómeno, a que erradamente se chama o ‘renascimento da religião’ (no interior dos parlamentos, do terrorismo e dos media, mais ainda do que nas igrejas, cada vez mais vazias), será na realidade outra coisa que não a ‘morte de Deus’? Tal foi a questão que nos pusemos (…) Uma vez que o espírito do tempo não é o Espírito Santo, pareceu-nos que escrever a colegas nossos pedindo-lhes ensaios ‘sobre a religião’ se tornava uma diligência mais problemática do que nunca.»
G. Vattimo, «Acreditar em Acreditar», Lisboa 1998, 99 págs. PVP: 9,90 euros«Também as ocasiões históricas que suscitam o problema da fé têm um traço em comum com a fisiologia do envelhecimento: tanto num caso como no outro o problema de Deus põe-se em conexão com o encontro de um limite, com o infligir de uma derrota. Acreditávamos poder realizar a justiça sobre a terra, verificámos que não é possível e recorremos à esperança em Deus. A morte pesa sobre nós como eventualidade iniludível, fugimos ao desespero dirigindo-nos a Deus e à sua promessa de acolhimento no Reino eterno. Deus só se descobrirá, então, onde se choca com qualquer coisa de radicalmente desagradável? E como se explica o hábito de dizer «seja feita a vontade de Deus» só quando qualquer coisa corre realmente mal? (…) Deus, se existe, não é certamente o único responsável pelos nossos problemas e nem sequer apenas alguém que se dá a conhecer principalmente nos nossos fracassos. Este modo de fazer a experiência de Deus está todavia profundamente ligado a uma certa concepção da transcendência.»
Sigmund Freud, «Moisés e o Monoteísmo», Lisboa 1990, 188 págs. PVP: 12,00 euros«Não podemos esquecer que Moisés foi não apenas o chefe político dos judeus estabelecidos no Egipto, como também o seu legislador, o educador, e que os forçou à prática de uma nova religião, a qual ainda hoje recebe o seu nome, a religião mosaica. Poderá um só homem, porém, criar assim tão facilmente uma nova religião? E quando alguém pretende influenciar a religião de outrem, não será mais natural que venha a convertê-lo à sua?»
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