Este ano a Fundamentos já não teve embrulhos de livros em papel de pacotes de bacalhau, com fio do norte: começam novos projectos, ainda a tactear.Hoje,os votos de um Feliz Natal a todos os leitores.
Esperemos que em 2015 o site da Fundamentos possa apresentar novas propostas de leitura, sobretudo a partir de tesouros da história e da tradição cristã, que infelizmente permanecem fechados para muitos dos cristãos. Possivelmente, a vitalidade das Igrejas na Europa dependerá do modo como recuperarem a sua riqueza espiritual – superando a tentação de ser apenas mais uma voz repetitiva no meio das muitas que hoje encharcam os nossos olhos e ouvidos, nas redes sociais, na imprensa ou nas aplicações digitais. Muito passará pelo silêncio.
A Fundamentos tentará estar nesta linha, com um contributo modesto, muito modesto. Esperemos que surja algum Caderno ou Curso ao longo de 2015. A ver.
Um Feliz Natal a todos os leitores! Muito obrigado por nos acompanharem em 2014. Desejamos uns bons dias de Natal, com qualidade – na família e nos queridos, no descanso e no silêncio, possivelmente na leitura. Em 2015 cá estaremos. Até lá, ficamos com Daniel Faria:
(…)
Estou a um palmo da parede. Pergunto – se queres saber o que oiço –
O que disseste a Elias: Elias
O que fazes aqui?
Sim, alteio os meus olhos
Conto-te o que nunca escrevo nos muros
Junto-me aos animais com sede
Estou a um palmo do teu palmo e depois
Não estás nas águas nem na sede ou no teu nome
Estou a um palmo do teu silêncio e alteio
O silêncio. A boca mais alta do meu grito
(…)
Ele é o cavador e o trabalho e a vinha
É ele que tem os aguaceiros de Outono –
Ele tem a giesta onde faz nascer a neblina
Ele abriga-nos, é ele que tem as nuvens
Ele tem o desenho das copas que dão fruto
Ele nem sequer se assemelha à luz nunca tocada
E estende sobre nós a cura
Os ramos da oliveira como o braço de quem afaga
Ele faz-nos provar o paladar inesgotável da escrita
Ele parte a broa e dá-nos ambas as mãos
É ele que conserva o mecanismo dos pássaros
É ele que move os moleiros quando param os moinhos
É ele que puxa a corda dos bois e a linha
Do céu que assinala os limites dos montes
Ele é que eleva o corpo dos santos, é ele
Que amestra o pólen para o mel, ele decide
A medida da flor na farinha
Ele deixa-nos tocar a orla dos seus mantos.
Daniel Faria, «Poesia», Lisboa 2012. Na imagem: Igreja de Saint Lazare, Autun – França
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