Fundamentos

Um grande respeito

"Christ and Adam" de Michael O'Brien http://www.studiobrien.com

“Christ and Adam” de Michael O’Brien
http://www.studiobrien.com

Foi há pouco tempo que estas linhas me passaram pelos olhos: são de Romano Guardini, um dos teólogos católicos mais significativos do século XX (viveu entre 1885 e 1968), e encontrei-as na edição publicada em 1962 pela Morais Editora das “Meditações sobre o Evangelho” de Charles de Foucauld (tradução de Nuno de Bragança). A citação de Guardini foi colocada como nota de rodapé pelo tradutor para comentar e “suavizar” a linguagem excessivamente severa que Foucald utiliza para si próprio. Neste excerto de Guardini encontramos a dignidade e o respeito como alicerces da Aliança de Deus com o Homem: uma dignidade e respeito que não se anulam, pelo contrário, tornam-se revelação máxima, diante do drama do pecado e da misericórdia.

Aqui fica o excerto; boas leituras!

“O orgulho é um endurecimento que tudo destrói. Vivemos da graça de Deus, e o facto de reconhecê-lo e de agir de acordo com esse reconhecimento é, ao mesmo tempo, verdade e humildade. É precisamente isto o que o homem orgulhoso tem de aprender. Mas ao mesmo tempo tem de aprender também que tem uma falsa ideia do Deus que se lhe oferece e o auxilia. Esquece que Deus respeita a honra do homem.

Neste ponto uma certa forma de piedade tem causado grandes males. Essa piedade julga honrar a Deus humilhando o homem e ao falar da misericórdia divina emprega o tom do rico que atira uma esmola ao pobre. As palavras mais santas – amor, bondade, misericórdia, atenção, auxílio, dádiva – ficam envenenadas por esta doutrina de desprezo e de falta de consideração que há-de revoltar todo o homem que tem o sentido da sua dignidade.

Porém a realidade é diferente: o homem não é desprezível. Pecou, sem dúvida, e podemos sentir o que isso significa quando olhamos para a história da humanidade pecadora, para a nossa própria história, e quando tentamos partilhar do que Cristo sofreu por causa desse pecado. Tudo isso é verdade; mas, apesar disso, a dignidade humana, que o Criador formou, nunca se apaga, e é precisamente ela que empresta ao pecado todo o seu horror. Assim, tudo quanto vem de Deus para o homem reveste-se, por assim dizer, de um grande respeito, e tudo quanto vai do homem para Deus tem que revestir-se de dignidade, que se torna possível graças à consideração divina.”

 

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