Fundamentos

Uma Boa Morte

Uma Boa Morte

Hans Küng | Relógio D’Água | 144 páginas

Não é fácil abordar ou conversar sobre os temas mais vitais da nossa existência, como é o caso da fragilidade na dor extrema e na morte. Mas o pior que podemos fazer é considerar estes temas como um tabu, retirando-os do âmbito da palavra e da escuta. É a busca do diálogo que o alemão Hans Küng – um dos mais significativos teólogos católicos do século XX – procura com a publicação deste que será, talvez, o seu livro mais intrinsecamente pessoal (além da sua autobiografia).

Nesta obra, o autor (atualmente com 89 anos e portador da doença de Parkinson) apresenta uma visão da eutanásia no sentido morfológico da palavra (de origem grega): uma boa morte. Uma série de experiências profundas de encontro com o sofrimento no final da vida, junto de entes queridos, levam o autor a defender a possibilidade da escolha pessoal do término da vida, em absoluta autonomia e responsabilidade.

Trata-se de uma abordagem estritamente pessoal: o autor reconhece o significado de uma vida frágil e dependente, tanto física como psicologicamente; mas tal deve resultar de uma escolha, e não de uma imposição. Cada pessoa tem, para Hans Küng, o direito a poder escolher o momento da sua morte, no melhor das condições familiares, médicas e legais, quando se avizinha uma situação de dor extrema ou de perda total das faculdades psíquicas, sem qualquer perspetiva de recuperação.

Naturalmente, a visão do autor merece uma crítica construtiva: o exemplo recente do físico inglês Stephen Hawking revela a fecundidade de uma vida em situação de extrema dependência. Como refere Küng,

«o meu desejo é oferecer a uma opinião pública o mais ampla possível materiais que induzam reflexões críticas e autocríticas para que o debate atual chegue aos parlamentos, às associações profissionais, aos tribunais judiciais e às igrejas, mais concretamente aos políticos, aos médicos, aos juristas e aos pastores de almas. Tudo isto, na esperança de um debate interessado e, ao mesmo tempo, capaz de compreensão».

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