Fundamentos

A história de Jesus

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«A história de Jesus seria coisa pouca se fosse tomada como simples ocasião externa, meramente instrumental e, finalmente, marginal, para a comunicação de uma verdade eterna, sem tempo nem lugar. Uma vez sabida a verdade, a história poderia ser esquecida. O conteúdo dispensaria a forma – seria uma pureza teórica da mente (espírito, ilumincação, interioridade) que dispensaria o envolvimento dos sentidos (corpo, paixão, exterioridade). O logos seria questão da mente, não da audição e da sonoridade, nem da visão e da gestualidade e, contrariamente à Primeira Carta de S. João, quando se refere ‘ao que as nossas mãos tocaram’ (1,1e), ainda menos, do toque e do con-tacto/tato.

Porém, “Deus não fala ao homem com discursos eloquentes, mas é um corpo que fala ao homem com amor gratuito” (Bonaccorso 2006). O que Deus diz de si e de nós na carne do Verbo não é separável do modo efetivo como se (nos) dá na história de Jesus. O conteúdo da sua revelação não é dissociável da forma de um corpo, do estilo de uma vida. É assim que Deus manifesta a sua santidade. Sem limites, apresenta-se, enquanto se representa na configuração de um corpo. Mostra-se e diz-se, enquanto se dá numa determinada forma histórica e corpórea.

Por isso, a história de liberdade que é Jesus resiste a ser reduzida a um mero pretexto para a instrução formal do cânone dogmático. O caráter afetivo e efetivo da vida de Jesus, presença audível, visível, tangível e apreciável do Filho de Deus na nossa história corpórea (1Jo 1,1-4) que é sempre feita de nascimento e de aprendizagem, de desejo e desencontro, de necessidades e de celebração, de trabalho e de festa, de laços afetivos e de luto, de cansaço e de morte, além de nos revelar um “Deus puro que não tem medo de sujar as mãos”.

José Frazão Correia, «A Fé vive de Afeto», Lisboa 2013

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