… e é essa a distância de um grande abraço que o livreiro manda para um português que acaba de fazer a sua profissão solene como monge cisterciense.Hoje, o site é de Carlos Maria Antunes.

«Poderíamos definir espiritualidade, combinando duas atitudes: abertura e atenção. O homem/mulher espiritual é aquele que está atento ao movimento incessante do Espírito, reconhecendo que o habita, e que flui em si, no seu coração, e a partir daí, reconhece este mesmo movimento como a seiva da História, na vida, no devir do acontecer.
Atento e aberto, isto é, acolhe tudo o que se cruza com ele, não julga, não se defende, deixa cair preconceitos e ideias feitas, acolhe tudo como um movimento original, surpreendente; simplesmente observa, detém-se, deixa-se interpelar, centra a sua atenção para ver mais fundo, não se deixa impressionar pela imediatez das sensações. Atenção e abertura que também pedem uma espera, evitando precipitações, não para se proteger, pois não teme ser ferido pela própria realidade, mas porque o seu olhar e o seu coração estão feitos para a compaixão.
O que acabo de referir não é específico do monge – aliás, é muito difícil dizer da especificidade da vida monástica – é antes, comum a todos os homens e mulheres que se descobrem diante de uma Presença, que sentem que o acolhimento da Transcendência aponta para um horizonte mais vasto na visão de toda a Realidade e que nunca, em nenhum momento, a sentem como mutiladora ou redutora da grande arte que é existir (…)
No interior da Igreja, a vida monástica é uma concretização da vida batismal, tratando-se de um carisma marcadamente laical, sendo por isso mesmo, no seu essencial, absolutamente próxima da vida de todos os que descobrem e vivem o Evangelho como Boa Notícia (…) Podemos dizer que o monacato, mais do que património das religiões, é património da humanidade. E, quando digo património, digo realidade viva que continua a convocar homens e mulheres, muito para além das fronteiras da confessionalidade da fé, como um desiderato de ser autenticamente humano.»
in Carlos M. Antunes, «Atravessar a própria Solidão», Lisboa 2011, pág. 49
Notícia em www.religionline.blogspot.com
Entrevista com Carlos Maria Antunes
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