Fundamentos

Livros e Publicações: um Balanço

Numa altura em que se conclui o Ano da Fé, nos 50 anos do Concílio Vaticano II, é altura de fazer um balanço no âmbito das publicações na área da formação cristã.

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Ao longo do Ano da Fé alguns livros constituíram marcos importantes: a publicação em livro das conferências do colóquio Quem foi, quem é Jesus Cristo? organizado por Anselmo Borges; publicações de qualidade nas Paulinas, de que destaco os livros Paciência com Deus de Tomás Halik,Tomados de Assombro do Cardeal Martini, e dois autores portugueses em destaque: José Frazão Correia (A Fé Vive de Afeto) e Carlos M. Antunes (Só o Pobre se faz Pão).

A Paulus tem feito uma aposta louvável na publicação de trabalhos teológicos elaborados em Portugal e, dos Jesuítas, veio a Frente e Verso com três publicações de qualidade. É com pena que vemos uma editora de tradição como a Gráfica de Coimbra encontrar-se em baixa produção editoral. Os Franciscanos proporcionaram-nos duas belas traduções de Karl Rahner. Do Porto vimos o (re)nascer da Cosmorama. E tivemos as novas publicações de Fernando Ventura (VersodaKapa) e Vasco P. Magalhães (Tenacitas). Foi o ano de Francisco: através de numerosas publicações foi-nos dado a conhecer um pouco melhor da história e pensamento do actual Papa; mas esta oferta não esconde o deficit crónico de publicações de qualidade em Portugal sobre temas centrais no Cristianismo, seja de cristologia, bioética, estudos bíblicos, etc.

Este Ano da Fé deixa-me a sensação de que mais poderia ser feito a jusante, no âmbito dos hábitos de leitura. Se os portugueses oferecem, do seu tecido cultural de Povo, poetas e escritores dos mais belos do mundo, são também conhecidos por lerem pouco – e os cristãos não são excepção. Continua a ser ladainha de responsáveis eclesiais – presbíteros e leigos, ministros, catequistas e animadores – repetirem que, em virtude das múltiplas actividades, têm pouca disponibilidade para a leitura – comprometendo quer a qualidade do serviço prestado, quer a capacidade de encontrar novas respostas para os desafios pastorais. O mundo editorial será reflexo da realidade pastoral – de a(s) Igreja(s) Portuguesa(s) assentar(em) a sua pastoral mais na tradição social e familiar do que na (re)Iniciação Cristã de Adultos. Os cristãos portugueses serão maiores leitores quando melhor viverem a sua experiência crente como um caminho pessoal exigente e fascinante – e quando forem mais interrogados, pelo meio cultural, na sua esperança. Aqui, como em todos os âmbitos, percebemos como todos os anos terão de ser vividos na Fé – porque há ainda um Caminho a percorrer.

(Texto publicado no Semanário Ecclesia de 21 de Novembro)

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